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Vacina de gripe tem eficácia de apenas 59%

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Imunização mais usada hoje, que leva vírus mortos, funciona em 59% dos casos; ideal para vacinas é 90%.

Resultado indica necessidade de novos tipos de vacina, mas imunização ainda é a melhor prevenção.


Um estudo rigoroso das vacinas anuais contra a gripe mostrou que a sua eficácia é bem menor do que se imaginava: 59% de proteção, em vez dos mais de 90% que se espera de uma vacina. O resultado diz respeito à vacina trivalente, fabricada com o vírus inativo. Esse é o tipo usado nas campanhas de vacinação de gripe sazonal no Brasil.

"59% é bem melhor do que zero", diz o principal autor da análise, Michael Osterholm, da Universidade de Minnesota, Estados Unidos. Ele e seus colegas fizeram um meta-análise, publicada hoje na revista médica "Lancet Infectious Diseases". A equipe pesquisou resultados de ensaios clínicos de vacinas contra a gripe desde janeiro de 1967 até fevereiro de 2011.

O estudo afirma que, embora a vacina funcione e ainda deva ser recomendada, há dúvidas sobre sua eficácia, especialmente em relação aos maiores de 65 anos.  As campanhas de vacinação contra gripe sazonal no Brasil têm como público-alvo os maiores de 60 anos, os indígenas, as gestantes, os profissionais de saúde e as crianças com idade entre seis meses e dois anos.

PROTEGENDO CRIANÇAS

As crianças são um reservatório tradicional do vírus da gripe e transmitem a doença para o resto da comunidade. Logo, a imunização infantil contra a gripe é importante. De acordo com o estudo, seria mais vantajoso usar nas crianças a vacina com vírus vivo e atenuado, em vez da que usa vírus morto, mais comum. A eficácia dessa vacina em crianças com menos de sete anos foi de 83%.

NOVAS VACINAS

Apesar da proteção conferida pela vacina, os autores ressaltam que ela continua sendo a melhor forma de evitar a doença. Mas concluem: "É preciso desenvolver novas e melhores vacinas". De acordo com o médico Rubens Baptista Junior, especialista em medicina preventiva e social e professor na EEP (Escola de Educação Permanente) do Hospital das Clínicas da USP, não há dúvida de que a vacina salva vidas. "É preciso estimar quantas seriam perdidas sem a vacinação", diz.

Para ele, o resultado, ainda que não ideal, é positivo. "Mas, na população em geral, existe a idéia de que, depois da vacinação, um simples resfriado mostraria que não houve efeito. Vacina é para certos casos, como a gripe sazonal; não é para curar resfriados", lembra o médico.

 

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