
Dra. Susan R Davis, MBBS FRACP PhD
Professor de Saúde da Mulher, Monash University, Melbourne, Austrália
Consultor Médico - Pesquisas recentes mostram que homens de mais de 50 anos são geralmente satisfeitos com a qualidade de sua vida sexual, quando comparados com homens mais jovens. Em sua opinião, como as mulheres de 50 anos avaliam sua vida sexual, quando se comparam com mulheres de 20, 30 ou 40 anos?
Dr. Susan Davis - A probabilidade de que as mulheres reclamem de diminuição de libido, excitação, orgasmo e satisfação aumenta com a idade. A reclamação mais comum é a perda de interesse para o contato sexual íntimo, o que se traduz em diminuição da excitação e, portanto, diminuição da capacidade de chegar ao orgasmo. Isso faz que as mulheres sintam que perderam a capacidade de dividir o que anteriormente era importante no relacionamento delas. Isso também cria uma tensão significativa no relacionamento. E elas se sentem culpadas por isso.
CM - Como compara os avanços terapêuticos para a qualidade de vida sexual dos homens com os das mulheres?
SD - Os avanços terapêuticos nesta área foram asfixiados pelos que acreditam que não é uma condição de saúde autêntica (mas que foi inventada por companhias farmacêuticas), ou que é uma condição natural do envelhecimento, ou que tudo isso está “na cabeça” e assim por diante. Esta área não tem ou não encontrou o suporte que conseguiu com os problemas sexuais do homem.
CM - Qual tipo de recomendação seria útil às mulheres para preservar ou restaurar a qualidade de vida sexual nos anos da maturidade (perimenopausa e menopausa)?
SD – É necessário considerar todos os aspectos do assunto como, por exemplo, o estresse ou o cansaço delas e de seus parceiros. Elas devem conversar abertamente com o parceiro. É importante que ele entenda que a perda de desejo não é devida a qualquer desinteresse para com ele, mas parte de uma nova fase da vida a que ambos estão sendo submetidos na meia idade.
Os parceiros devem reservar um tempo suficiente para a intimidade, o que é geralmente negligenciado. Devem conversar com o médico, avaliar se precisam de algum exame, ou usar um estrogênio vaginal para evitar a secura.
CM - Qual o papel possível dos medicamentos antigos novos e futuros?
SD - A testosterona em patch transdérmico é o único tratamento que comprovou uma melhora em mulheres nesta altura. Não tem nada de realmente interessante em desenvolvimento.
CM - Qual é a tendência das pesquisas no que se refere à preservação ou melhoria da qualidade de vida sexual das mulheres?
SD - As pesquisas são baseadas principalmente em hormônios, com pouca fundamentação.
CM - Qual é a regra prática para o uso da terapia androgênica?
SD - É necessário verificar o perfil hormonal antes de começar o tratamento e controlá-lo periodicamente. Não deve se usar produtos desenvolvidos para homens. As doses são elevadas demais para mulheres e usá-los simplesmente reduzindo a posologia resulta muitas vezes em níveis sanguíneos elevados demais para mulheres.
CM - Em sua opinião, qual é a terapia androgênica mais eficaz e segura?
SD - A testosterona transdérmica é a mais segura e por enquanto a mais eficaz. As preparações são mais absorvidas pelo tecido genital do que pela pele, mas os níveis sanguíneos resultantes não são previsíveis e geralmente altos demais, o que pode criar efeitos adversos. A DHEA foi utilizada em vários estudos, mas não mostrou muitos efeitos benéficos em mulheres.
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