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Doença Ulcerosa Péptica

Consultar Doenças - Úlcera

Definição
Lesão escavada profunda que atinge a submucosa, no estômago ou no duodeno.

 

 

Etiologia
As três principais causas são a infecção crônica pelo Helicobacter pylori, AINEs (principalmen­te no idoso) e estado de hipersecreção ácida como na síndrome de Zollinger Ellison ou na forma duodenal da doença de Crohn.

 

Clínica
Úlcera duodenal: epigastralgia em queimação que ocorre 2 a 3 horas após as refeições e à noite (a dor pode acordar o paciente), que pode ser aliviada pelo uso de antiácidos ou pelo alimento.Úlcera gástrica: epigastralgia costuma ser desencadeada pelo alimento. Náusea e perda de peso são mais comuns na úlcera gástrica.Dispepsia é comum.

Complicações: sangramento gastrintestinal, perfuração e obstrução.

 

Diagnóstico
O diagnóstico de úlcera péptica deve ser in­vestigado pela endoscopia. O exame baritado (SEED) é uma alternativa com acurácia mais baixa.A conduta inicial frente aos sintomas dispépticos deve ser a pesquisa do Helicobacter pylori por exames não invasivos (sorologia e teste res­piratório da urease) e, no caso positivo, trata­mento empírico com erradicação da bactéria; no caso negativo, uso empírico de antissecretores. Solicitar endoscopia nos casos refratários, recorrentes e em pacientes > 45 anos ou naqueles com sinais de alarme (perda ponderal, anemia, sangramento, vômitos recorrentes, disfagia, massa abdominal e adenopatia) para uma possível neoplasia gástrica.

Vale ressaltar que as úlceras gástricas devem ser investigadas (biopsiadas) por risco de ma­lignidade. No entanto, úlceras duodenais são raramente malignas.

 

Tratamento
Medidas gerais: dieta balanceada e em interva­los regulares, uso moderado de bebidas alcoólicas e desencorajamento do tabagismo, pois este diminui os mecanismos de reparo e pro­teção da mucosa.Tratamento farmacológico: visa basicamente reduzir a acidez do conteúdo gastrintestinal e, quando presente, a erradicação do Helicobacter pylori.
  • Fármacos de primeira linha: IBP (omeprazol 20 mg/dia, pantoprazol 40 mg/dia, lasoprazol 30 mg/dia) por 4 a 8 semanas*. BH2 (cimetidina 800 mg/dia, ranitidina 300mg/dia, famotidina 40 mg/dia) por 4 a 8 sema­nas*. (*4 semanas – úlcera duodenal; 8 sema­nas – úlcera gástrica).
  • Fármacos de segunda linha: antiácidos (hidróxido de alumínio e magnésio) adminis­trados 1 hora após as refeições. Hoje raramente são usados no tratamento regular; sucralfato (mais utilizado nas UD): terapia aguda 1 g 30 minutos antes das refeições e ao deitar ou 2 g 12/12 horas; terapia de ma­nutenção 1g 12/12 horas.
  • Tratamento do Helicobacter pylori: antibio­terapia durante 10 dias.
 Três esquemas de tratamento
Omeprazol (ou outro IBP) 20 mg 12/12 horas
Claritromicina 500 mg 12/12 horas
Amoxacilina 1 g 12/12 horas
Omeprazol (ou outro IBP) 20 mg 24/24 horas
Claritromicina 500 mg 12/12 horas
Furazolidona 200 mg 12/12 horas
Omeprazol (ou outro IBP) 20 mg 24/24 horas
Tetraciclina 500 mg 6/6 horas
Furazolidona 200 mg 8/8 horas

Em caso de falha terapêutica, utiliza-se anti-secretores em dose padrão 2 x/dia + citrato de bismuto 120 mg 4 x/dia + metronidazol 500 mg 3 x/dia + tetraciclina 500 mg 4 x/dia, por um período mínimo de 7 dias. Tratamento cirúrgico

Existem 3 indicações básicas: hemorragia re­fratária à terapia endoscópica ou recidivante; perfuração ou obstrução; não cicatrização da úlcera ou recidiva constante após o tratamento clínico, apesar da erradicação do Helicobacter pylori.

 

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