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Varicela e Herpes-Zóster

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Definição
Vírus DNA da família Herpesviridae, tipo 3, também conhecido como vírus da varicela-zóster (VZV).

Etiologia
Semelhante a outros herpes-vírus, o vírus da varicela apresenta característica da capacidade de latência por longo período, podendo ocorrer reativação periódica causando doença clí­nica ou subclínica. A transmissão ocorre por via inalatória ou contato direto. Na infecção inicial, ocorre viremia após a replicação nas células da nasofaringe. A viremia intermitente é traduzida pelo quadro de lesões disseminadas com polimorfismo regional observada na primoinfecção (varicela). Esse quadro é seguido por período de latência, no qual o vírus fica alojado nos gânglios do corno posterior, podendo reativar tardiamente causando quadro de herpes-zóster.

Doença benigna altamente contagiosa, porém, de baixa morbidade. A infecção primária geral­mente ocorre na infância/adolescência, sendo mais freqüente na época do inverno e início da primavera. Em regiões menos povoadas, a infecção primária pode ocorrer só na idade adulta.

 

Clínica

  • Período de incubação: 10 a 21 dias, em mé­dia, 14 dias.
  • Período de transmissibilidade: inicia-se 1 a 2 dias antes da erupção cutânea e pode durar enquanto houver vesículas.
  • Varicela: manifestação da infecção primária, caracterizada por lesões inicialmente papulomaculares, eritematosas, de distribuição cen­trípeta que evoluem para vesículas, pústulas e crostas após 3 a 4 dias. Caracteristicamen­te, apresenta polimorfismo regional (lesões em várias fases evolutivas no mesmo dermátomo), bastante pruriginoso. Em crianças, podem surgir poucas lesões e geralmente o quadro é benigno e autolimitado. Quando o quadro ocorre em adultos, pode ser precedido por pródromo de 1 a 2 dias, caracterizado por febre e astenia, seguida de aparecimento das vesículas. O quadro sistêmico pode ser mais exuberante, com febre intermitente e sinais de visceralização como pneumonite e hepatite, e envolvimento da mucosa oral e genital. Em indivíduos imunocomprometidos, sejam crianças ou adultos, as lesões po­dem ser mais exuberantes, com maior duração, e maior risco de complicações viscerais, com letalidade de até 15%.
  • Herpes-zóster: manifestação da reativação viral após período de latência. A reativação geralmente ocorre em indivíduos maiores de 60 anos de idade, sendo precedida pela parestesia ou dor em pontada no dermátomo acometido e, após 48 a 72 horas, aparecimento de lesões em um dermátomo, inicialmente papulomaculares, eritematosas, que evoluem para vesículas, pústulas e crostas. Geralmente as lesões possuem mesma fase de evolução. Pode acometer qualquer dermátomo, sendo mais freqüente nos dermátomos T3 a L3 e nervo trigêmeo. Quando há reativação da lesão no nervo trigêmeo, pode manifestar-se na forma de herpes oftálmico, que pode acometer também a conjuntiva e a córnea, podendo causar cegueira.
  • Complicações:
  • Varicela
  • Infecção bacteriana secundária: é a complicação mais freqüente da varicela, geralmente causada por S.pyogenes ou S. aureus.
  • Comprometimento do SNC: ataxia cerebelar, meningite asséptica, encefalite, mielite transversa, síndrome de Guillain-Barré, síndrome de Reye. caracterizada por taquipnéia, dispnéia, tosse seca, dor pleurítica e febre. Outros: miocardite, nefrite, artrite, alteração renal, hepatite.
  • Herpes-zóster:
  • Neurite pós-herpética: mais comum em indivíduos maiores de 50 anos de idade, caracterizada pela persistência da dor no dermátomo acometido até meses após o aparecimento da lesão.
  • Meningite e meningoencefalite, comprometimento visceral, sendo mais freqüente em imunocomprometidos.
    • Varicela perinatal: secundária ao desenvolvimento de varicela na mãe até 5 dias antes e 2 dias após parto. Alta mortalidade no recém-nascido, com lesões extensas e comprometimento visceral.
    • Varicela congênita: transmissão transplacentária do VZV. O feto pode ter hipoplasia de membros, lesões cicatriciais e microcefalia.

 

Diagnóstico

  • Clínico.
  • Isolamento viral: PCR.
  • Sorológico: IgM na varicela e aumento dos títulos de IgG no zóster.

 

Tratamento

  • Crianças: aciclovir 20 mg/kg/dose (máx. 800 mg/dia) VO dividido 6/6 horas por 5 dias (indicado apenas para formas graves).
  • Adultos: aciclovir 800 mg VO 5 x/dia por 7 a 10 dias.
  • Imunocomprometidos ou complicações: aciclovir 10 mg/kg ev8/8 horas por 7 a 14 dias.
  • Neuralgia pós-herpética: uso de corticosteróides não é consenso. Sintomáticos (amitriptilina, carbamazepina).

 

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