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Valvopatias / Insuficiência Mitral

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Etiologia
Na insuficiência mitral (IM) existe uma incompetência do aparelho valvar mitral, com passagem anormal de sangue do ventrículo esquerdo (VE) em direção a átrio esquerdo (AE). A principal causa em nosso meio é a febre reumática [ver Febre reumática], e nos países desenvolvidos é o prolapso de valva mitral. Outras causas são: isquemia do miocárdio, calcificação senil do anel mitral. A IM aguda pode ser causada por isquemia do miocárdio, ruptura de cordoalha e endocardite infecciosa. Como parte do sangue que é bombeado pelo VE durante a sístole reflui para o AE, é necessário um maior esforço do VE para que a quantidade de sangue que deveria fluir pela aorta não seja insuficiente: sobrecarga de volume no AE e noVE.

Esta sobrecarga de volume gera um aumento da pressão retrogradamente, ocasionando sintomas congestivos: dispnéia, ortopnéia, turgência jugular patológica, ascite e edema.

Clínica
A fadiga, a dispnéia aos esforços e a ortopnéia são os sintomas mais comuns. A turgência jugular, o edema e a ascite ocorrem nas formas graves com disfunção do ventrículo direito (VD).

Observamos ainda a presença de um sopro sistólico com irradiação axilar, a B1 é geralmente ausente, leve ou abafada.

 

Diagnóstico
O ecocardiograma com Doppler em cores é o exame não-invasivo que melhor avalia a presença de insuficiência mitral, além de indicar a gravidade. Na fase inicial, a fração de ejeção (FE) está elevada e na fase descompensada a FE está normal. A diminuição da FE indica maior gravidade. O parâmetro que estima a gravidade é a fração regurgitante (FR – percentual do débito sistólico que reflui para o átrio esquerdo).

  • IM mínima: FR < 20%.
  • IM leve: FR de 20 a 40%.
  • IM moderada: FR de 40 a 60%.
  • IM grave: FR > 60%.

Na radiografia, observa-se aumento de VE e AE. Pode-se observar a presença das linhas B de Kerley indicando congestão venosa pulmo­nar, além de calcificações no anel mitral.

 

Tratamento
A insuficiência mitral é um fator de risco para endocardite infecciosa, logo, está sempre indicada a profilaxia da endocardite quando forem realizados procedimentos de risco, bem como deve-se estar atento a medidas de controle importantes como higiene dentária e cuidados nas feridas de pele. Outra medida fundamental é profilaxia com penicilina benzatina nos pacientes portadores de febre reumática. Nos casos leves não é necessária uma terapia medicamentosa ou cirúrgica. Bastam as medidas gerais como: higiene dentária, profilaxia da endocardite e de novos surtos de febre reumática.

Nos casos moderados, além das medidas gerais, deve-se empregar diuréticos e inibidores da en­zima conversora da angiotensina (IECA).

A FE está normal ou elevada nas fases iniciais. Assim, os digitais só deveriam ser empregados nas fases mais avançadas.

A grande questão nos pacientes com IM é quando indicar a cirurgia. A indicação no tempo preciso pode fazer a diferença na qualidade de vida do paciente.

 

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