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Definição
Síndrome aguda caracterizada por febre e adenomegalia generalizadas, associadas freqüentemente a faringite, hepatoesplenomegalia, exantema, artralgia e alterações hematológicas.
Etiologia
Pode ser causada por vírus, bactérias ou protozoários. Os principais agentes responsáveis são vírus Epstein-Barr (agente etiológico da mononucleose infecciosa), citomegalovírus, vírus da rubéola, HIV, Treponema pallidum, Toxoplasma gondii, e Trypanosoma cruzi (contato zona endêmica). Os vírus hepatotrópicos (VHA, VHB, VHC, VHD e VHE) em fase prodrômica podem causar a síndrome em 10-20% dos casos. A síndrome pode ser confundida com doenças reumatológicas (doença de Still) e neoplásicas (leucemias e linfomas).
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Vírus Epstein-Barr (EBV): infecção cosmopolita, sendo que mais de 90% dos adultos apresentam títulos de anticorpos positivos contra o agente. A transmissão ocorre de homem a homem pelo contato íntimo de secreções orais (saliva), podendo também haver transmissão parenteral e sexual (raras).
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Citomegalovírus (CMV): prevalente no mundo todo, em todos os tipos de populações. No entanto, a infecção é mais precoce e disseminada em áreas com baixas condições socioeconômicas. O vírus está presente em fluidos corpóreos como urina, saliva, leite, sangue, lágrimas e secreção vaginal. Pode ser transmitida de homem a homem por contato íntimo, com alta prevalência de anticorpos específicos em crianças institucionalizadas. Também ocorre transmissão sexual, parenteral e vertical.
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Rubéola: antes da disponibilidade da vacina contra rubéola havia muitos casos de crianças afetadas, além de rubéola congênita. Atualmente os casos se restringem a adultos não imunizados. Transmissão homem a homem por secreções respiratórias ou por via transplacentária [ver Rubéola].
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Treponema pallidum: transmissão por via sexual, contato íntimo não sexual, transplacentária ou parenteral [ver Sífilis].
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Toxoplasma gondii: infecção cosmopolita, afetando metade da população mundial. Aquisição por ingestão de oocistos provenientes do solo e fômites contaminados por fezes de gatos infestados, ou por ingestão de carne contaminada crua ou mal passada.
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Trypanosoma cruzi [ver Doença de Chagas]: a transmissão vetorial tem sido fortemente controlada no Brasil, assim como a transmissão por transfusão. A forma aguda da doença de Chagas ainda tem ocorrido acidentalmente por ingestão de alimentos contaminados por fezes de barbeiro, acidente em laboratório e transplante de órgãos infestados.
Clínica
As manifestações clínicas variam um pouco de acordo com o agente etiológico, embora sejam geralmente benignas.
- Vírus Epstein-Barr: período de incubação de 1-2 meses. Caracteriza-se por febre, queda do estado geral, faringite exsudativa (faringite estreptocócica), micropoliadenopatia indolor e generalizada com predomínio cervical, esplenomegalia, hepatomegalia, linfocitose importante (> 50%), linfócitos atípicos (>10%), anticorpos heterófilos. Pode haver edema bipalpebral matutino e petéquias no palato. Os pacientes que fazem uso de antibióticos beta-lactâmicos freqüentemente (99%) desenvolvem exantema maculopapular difuso (incluindo palmas e plantas). O exantema espontâneo é raro (5%). Resolução espontânea em 1-2 meses. Eventualmente o vírus pode causar a mononucleose fatal, uma sepse viral com síndrome hemofagocítica causando a pancitopenia e CIVD. Complicação associada à imunodepressão e especificamente à doença linfoproliferativa ligada ao X.
- Citomegalovírus: infecção primária geralmente assintomática ou frusta (IVAS) no hospedeiro imunocompetente. Quando causa síndrome mononucleose símile apresenta quadro clínico menos florido que o Epstein-Barr, com menos acometimento geral, sem faringite exsudativa, com pouca visceromegalia (mais hepatomegalia que esplenomegalia, sendo causa de hepatite). Causa linfocitose mais discreta (< 50%) com poucos linfócitos atípicos. Não há produção de anticorpos heterófilos. Evolução em 9-60 dias. A infecção durante a gestação pode levar à infecção congênita, com graves complicações para o feto.
- Rubéola: após período de incubação de 12-23 dias inicia-se então pródromo com febrícula, cefaléia, artralgia (pequenas articulações) e adenopatia generalizada, dolorosa, com predomínio suboccipital, retroauricular e cervical posterior. Poder haver petéquias em palato. Em 3-5 dias o quadro evolui com exantema morbiliforme de progressão cefalocaudal rápida (< 24 horas) [ver Rubéola].
- Vírus da imunodeficiência humana (doença aguda pelo HIV): após 1 a 6 semanas do contato com vírus, cerca de metade dos pacientes podem apresentar febre, adenomegalia generalizada, faringite, exantema cutâneo macular ou petequial, mialgia, cefaléia, diarréia, náusea/vômitos e hepatoesplenomega- lia. Eventualmente a manifestação pode ser de meningite linfomonocitária. O quadro é benigno e autolimitado, durando cerca de 14 dias, seguido da fase de latência clínica [ver Aids].
- Treponema pallidum: a sífilis secundária pode mimetizar a mononucleose. O exantema da sífilis é polimórfico, acometendo tronco, membros, palmas e plantas (poupa face). Pode haver alopecia, condiloma plano, enantema acometendo palato, língua.
- Toxoplasma gondii: período de incubação de 5-20 dias. Caracteristicamente, os gânglios da toxoplasmose são grandes, dolorosos e duros. Não costuma ter faringite nem exantema. Não apresenta hepatoesplenomegalia, exceto na toxoplasmose tifoídica que na primeira semana é semelhante à febre tifóide. Tem evolução subaguda (6 semanas). Pode haver acometimento ocular (coriorretinite), embora geralmente esse seja causado por infecção congênita. Infecção na gestação pode cursar com aborto, natimorto ou toxoplasmose congênita com alterações de SNC (macrocefalia, microcefalia, hidrocefalia), hepatoesplenomegalia, anemia, corioretinite bilateral.
- Trypanosoma cruzi (doença aguda): após período de incubação de 7-40 dias, apresenta síndrome mononucleose símile, associada a sinais de porta de entrada (sinal de romana e chagoma de inoculação), manifestações cardíacas e de SNC [ver Doença de Chagas].
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Doença
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Hemograma
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Anticorpos heterófilos
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Sorologia
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Outros testes
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| Mononucleose infecciosa |
Linfocitose (>50%) com atipia (>10%) |
+++ |
anti-VCA IgM ou aumento 4X IgG em 2 semanas (ELISA) |
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| Citomegalovirose |
Linfocitose com atipia discreta |
+ |
Ac específicos IgM ou aumento 4X IgG em 2 semanas (ELISA) |
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| Rubéola |
Discreta leucopenia, linfocitose relativa sem atipia |
+ |
Ac específicos IgM ou aumento 4x IgG em 2 semanas(ELISA) |
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| Doença aguda pelo HIV |
Linfocitose ou linfopenia, linfócitos atípicos, plaquetopenia |
++ |
Negativa.Positiva-se em até 2 meses (ELISA e W. Blot) |
PCR qualitativo para RNA do (HIV-1) |
| Sífilis secundária |
Normal, leucocitose ou anemia |
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VDRL + (geralmente >1/16)FTA-Abs+ |
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| Toxoplasmose |
Linfocitose com atipia |
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Ac específicos IgM ou aumento 4x IgG em 2 semanas (ELISA, IFI, hemaglutinação) |
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| Doença de Chagas aguda |
Leucocitose ou leucopenia, linfocitose com ou sem atipia |
+ |
Não é recomendada para o diagnóstico de doença aguda/reativação |
Detecção direta do parasita em creme leucocitário, gota espessa e QBC |
Tratamento
A maior parte das doenças apresenta evolução transitória mesmo sem tratamento (mononucleose infecciosa, citomegalovirose, rubéola, doença aguda pelo HIV). No entanto, algumas requerem tratamentos específicos:
Sífilis secundária [ver Sífilis]
Toxoplasmose:
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