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Síndrome das Pernas Inquietas

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Definição
Síndrome sensitivo-motora com necessidade compulsiva de movimentar os membros em períodos de repouso ou à noite.

 

 

Etiologia
Começa geralmente depois de 40 anos, com leve predominância feminina, e aumenta na terceira idade. Prevalência entre 5 e 15% dos adultos, pouco diagnosticado. Causas: fatores genéticos (cromossomos 12 e 14), distúrbios de neurotransmissão dopaminérgica e outros fatores como níveis baixos de ferritina, inferior a 40 mcg/l (a ferritina interfere no metabolismo da dopamina no cérebro). Mais freqüente em gestantes, insuficiência renal (diálise), insuficiência vascular periférica, abuso de cafeína, diabetes, artrite reumatóide, fibromialgia, neuropatia periférica, mielite.

Apresenta efeito adverso aos seguintes medicamentos: antidepressivos (salvo bupropiona e duloxetina), anti-histamínicos sedativos, metoclopramida, lítio, neurolépticos, bloqueadores do canal de cálcio.

 

 

Clínica
Desconforto crônico, intermitente ou diário, dos membros inferiores causando intensa dificuldade para dormir, com sensação de queimação, formigamento, cãibras. A caminhada, o exercício ou o banho frio ou quente aliviam imediatamente os sintomas leves, em uma hora nos casos de intensidade moderada, mas não aliviam os casos graves. Os sintomas aparecem exclusivamente em repouso ou à noite, com atenuação na madrugada.

 

 

Diagnóstico
Há quatro critérios para o diagnóstico clínico:

  • necessidade compulsiva e irresistível de mover os membros afetados, acompanhada de parestesias nas pernas entre o joelho e o tornozelo;
  • a compulsão começa em período de repouso, em posição sentada ou deitada;
  • a compulsão é aliviada por exercícios ou massagens;
  • a compulsão é intermitente ou diária, aparecendo ao deitar ou depois da meia-noite.

 

Tratamento
Tratamento não farmacológico
Respeitar higiene do sono, evitar privação de sono, cafeína, tabaco, álcool, medicamentos antidepressivos ou bloqueadores da transmissão dopaminérgica, atividade física moderada, massagens e banho quente antes de dormir.

Tratamento farmacológico

  • Agentes dopaminérgicos: Carbidopa/levodopa 12,50/50 mg – 25/100 mg – 75/300 mg e formulação liberação prolongada.

Efeitos adversos: piora dos sintomas com o au­mento da dose diária, necessitando redução da dose ou substituição por outro medicamento.

Outros agonistas da dopamina não ergotamínicos:
Pramipexo: 0,25-2,5 mg/dia 2 horas antes do sono.
Ropirinol: 1-3 mg/dia.

Outros agonistas da dopamina ergotamínicos:
Bromocriptina: 2,5-5 mg/dia.
Pergolida: 0,25-1 mg/dia.
Carbegolina: 1-4 mg/dia.

Efeitos adversos: naúseas, vômitos, constipação, fadiga, sonolência, hipotensão postural, edema de membros inferiores.

  • Benzodiazepínicos:

Clonazepam: 0,5-4 mg/dia.Triazolam: 0,125-0,5 mg/dia.Zolpidem: 5-10 mg/dia.Temazepam: 15-30 mg/dia.

  • Opióides:

Codeína: 15-120 mg/dia.
Propoxifeno: 130-520 mg.
Tramadol: 50-150 mg.
Outros: oxicodona, hidroxicodona, metadona.

Efeitos adversos: náuseas, vômitos, constipação, dependência.

  • Anticonvulsivantes:

Gabapentina 400 a 2.400 mg/dia (em SPI associada à doença de Parkinson ou demência).

  • Ferro:

Quando ferritina sérica 50 mcg/l (avaliação cada 4 meses).

  • Outros medicamentos: baclofeno, clonidina.

 

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