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Etiologia
Em nosso meio, esta é a principal fonte de intoxicação e existe um grupo bem menor de pacientes nos quais a intoxicação decorre de tentativas de suicídio ou ingestão acidental da droga. Em outros países, como os Estados Unidos, existem alguns grupos que exercem a prática de lamber sapos como forma de abuso de drogas, pois esses répteis possuem em sua pele substâncias alucinógenas, além de venenos que contêm digoxina. Outra forma de intoxicação que não é comum em nosso meio é a preparação de chás, utilizando-se de ervas que contenham o digital.
Clínica Manifestações neurológicas: alteração do paladar, alteração da percepção das cores (principalmente verde e amarelo), vista borrada, escotomas, cefaléias, tontura, fadiga, ansiedade, desorientação, confusão. Manifestações gastrintestinais: anorexia, náuseas, vômitos (são também efeitos adversos do uso não tóxico dos digitálicos) Outras: ginecomastia, alteração do tempo de coagulação, eosinofilia.
Diagnóstico O diagnóstico clínico de intoxicação digitálica é difícil em pacientes com patologias cardíacas graves, pois a maioria das manifestações pode ser causada pela doença ou por drogas. O diagnóstico está confirmado pela dosagem de digoxina sérica.
Tratamento O paciente em uso de digitálico deve ter monitorização cardiológica atenta. Alterações no traçado eletrocardiográfico percebidas precocemente permitem intervenção médica antes que ocorram complicações mais graves. Nas arritmias causadas pela intoxicação digitálica, caso seja necessária uma cardioversão elétrica, seu uso deve ser muito criterioso, sob risco de induzir arritmias graves. Existe um antídoto contra a digoxina (imunoterapia antidigoxina), muito caro e não habitualmente disponível em nosso meio. Nos casos de intoxicação aguda por ingestão acidental ou tentativas de suicídio não se deve estimular o vômito. A medida ideal é a lavagem gástrica com uso de carvão ativado. Medicamentos que elevam consideravelmente a concentração plasmática de digoxina: propafenona, quinidina, verapamil, amiodarona, eritromicina, omeprazol e tetraciclina. Na utilização associada desses medicamentos com digitálicos, o ideal é que se monitorize o nível sérico de digoxina, e no caso de uso de propafenona, quinidina, verapamil e amioda-rona, eritromicina, reduzir a dose do digitálico. Observação: além das drogas citadas, não devemos esquecer que a hipocalemia e a hipomagnesemia também contribuem para a intoxicação por digital.
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