| Febre Reumática |
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Definição
Etiologia
Clínica É um dos sinais mais freqüentes em crianças brasileiras admitidas em serviços especializados (65%), constituindo a manifestação clínica mais importante da FR, pelos riscos de morbi-dade e mortalidade. Os quatro sinais clínicos para o diagnóstico de cardite incluem:
O sopro mais característico da FR é a insuficiên cia mitral: holossistólico, de alta freqüência e com irradiação para a axila. A presença de um sopro mesodiastólico no foco mitral (sopro de Carey-Coombs) confirma o diagnóstico de valvulite mitral reumática. O surto de cardite tem duração de 1 a 6 meses, com média de três meses e o desaparecimento do sopro pode ser observado em cerca de metade dos casos. Coréia de Sydenham A presença de movimentos coréicos em crianças é altamente sugestiva do diagnóstico de FR. É mais freqüente no sexo feminino em idade escolar. Por apresentar um período de latência prolongado (1 a 6 meses), entre a infecção estreptocócica e o início das manifestações clínicas, é comum na coréia não serem observadas alterações das provas de fase aguda, nem evidências de infecção estreptocócica anterior. Artrite Dentre os sinais maiores de febre reumática é, talvez, o que envolve as maiores dificuldades diagnósticas quando se apresenta isoladamente, sendo muito difícil estabelecer sua freqüência como forma de apresentação clínica de FR (em torno de 50%). Habitualmente acomete grandes articulações, sendo pouco freqüente o envolvimento das coxofemorais. Várias articulações são comprometidas de maneira aditiva e cada uma por curtos períodos de um a cinco dias, no máximo, caracterizando a poliartrite migratória. A duração total do surto articular não excede duas a três semanas e evolui para a cura completa, sem seqüelas. Algumas causas de erro no diagnóstico da poliartrite reumática merecem ser destacadas:
Nódulos subcutâneos Manifestação rara, ocorre em menos de 3% das crianças com FR, e geralmente associada à cardite. Costuma aparecer várias semanas após o início do surto. Duros, indolores, imóveis, localizados nas superfícies articulares, sobre proeminências ósseas e no couro cabeludo. Não são patognomônicos da FR, podem surgir em outras patologias como ARJ, LES. Geralmente têm regressão espontânea. Eritema marginado Considerado raro como manifestação da FR. Apresenta associação freqüente com cardite, caracterizando-se por lesões de bordas nítidas avermelhadas, serpiginosas, com centro claro, não pruriginosas e com localização em tronco e porções proximais dos membros. Pode ser evanescente, com duração de algumas horas ou mesmo minutos. Devido a sua raridade e associação com cardite, alguns autores questionam sua classificação como sinal maior para o diagnóstico. Exames laboratoriais Velocidade de hemossedimentação (VHS).
A cultura de orofaringe deve ser realizada em todos os pacientes com suspeita de FR, lembrando-se que:
Por estas razões, as determinações dos anticorpos antiestreptocócicos deverão ser realizadas sempre que possível, lembrando-se que pelo menos 80% dos pacientes terão ASLO elevadas durante o curso da doença e todos apresentarão alterações, quando três ou mais anticorpos forem dosados (anti-hialuronidade, antiestreptoquinase, anti-DPNase e anti-DNAse – B). Níveis de ASLO entre 200-300 e mesmo 500 U são comuns em crianças escolares, especialmente as de níveis socioeconômicos mais baixos.
Diagnóstico Critérios de Jones (modificados)
Observação: coréia é o único sinal maior que isoladamente permite o diagnóstico de FR. Critérios menores
Apesar de nenhum sinal maior ou menor ser específico da FR, a presença de coréia e/ou cardite (valvulite mitral) permite maior segurança diagnóstica.
Tratamento
Tratamento das manifestações clínicas da FR
Passar para dose única pela manhã e iniciar a redução, até retirada completa em 8-12 semanas. Coréia Haloperidol: inciar com 2 mg VO/dia 12/12 horas. Após 72 horas, se não houver melhora, aumentar 1 mg/dia até 4-6 mg/dia. Observar sinais de impregnação. Ácido valpróico: 20-40 mg/kg/dia VO 6/6 horas ou 8/8 horas. Clorpromazina: 1-3 mg/kg/dia VO 6/6 horas ou 8/8 horas. Fenobarbital: 5-7 mg/kg/dia VO 6/6 horas ou 8/8 horas. Aproximadamente 3 meses. Tratamento da FR – profilaxia secundária 1º escolha: penicilina benzatina 1.200.000 UI a cada 3 semanas. 2ª escolha: penicilina V 250 mg 12/12 horas diário. Alergia a penicilina: eritromicina 250 mg 2 x/dia, sulfadiazina 1 g/dia (> 27 kg) ou 500 mg/dia (< 27 kg). A duração vai depender da gravidade dos episódios anteriores.
Observação: é muito importante lembrar que as lesões valvares residuais representam um risco aumentado para o desenvolvimento de um episódio de endocardite infecciosa, estando indicada a profilaxia.
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