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Febre Amarela
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Definição
Doença infecciosa não contagiosa causada pelo vírus da febre amarela.

Etiologia
O vírus da febre amarela é um arbovírus, vírus RNA do gênero Flavivirus e da família Flaviviridae.

Possui como reservatório urbano o homem e, silvestre, os macacos. A transmissão ocorre através da picada do Aedes aegypti na forma urbana e, na forma silvestre, através da picada dos mosquitos Haemagogus e Sabethes. Na fe­bre amarela silvestre, a infecção em humanos é considerada acidental.

Presente em regiões da África e América do Sul, sendo que a África é responsável por 90% dos casos anualmente notificados à OMS.

No Brasil, desde 1942 não há registro de surtos urbanos de febre amarela.

A forma silvestre é enzoótica nos estados do Acre, Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Maranhão, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Distrito Federal.

Casos humanos apresentavam estabilidade até 1997; a partir de então houve um aumento progressivo dos casos. Em 2000, houve notifi­cação de casos nos estados do Acre, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Tocantins.

Posteriormente, houve relatos de novos casos nessas regiões.

A infecção ocorre mais em indivíduos jovens, do sexo masculino, em atividades agropecuárias e ecoturistas. A letalidade global varia de 5 a 10%. Não há registros de segunda infecção no mesmo indivíduo, portanto, aparentemente a infecção inicial confere proteção contra infecções posteriores.

 

Clínica

  • Período de incubação de 3 a 6 dias.
  • Período de transmissibilidade para outro mosquito: antes do início da febre até os 3 a 4 primeiros dias da doença.
  • Manifestação clínica variável, podendo ser assintomática, oligossintomática, moderada, grave e maligna.
  • Quadro de início súbito, caracterizado por febre alta, calafrios, mialgia, prostração, cefaléia, congestão conjuntival, fotofobia, dor lombar, náuseas, vômitos e artralgia, com duração de 3 dias. Após esse período, pode evoluir para a cura ou agravamento. Neste caso há reaparecimento da febre, prostração acentuada, hipotensão, bradicardia e com­prometimento hepático e renal. Trata-se de uma hepatite fulminante, com icterícia progressiva, fenômenos hemorrágicos, oligúria ou anúria. É comum a encefalopatia, caracterizada por delírio, convulsão e coma. Dentre os casos graves notificados, a letalidade é superior a 40%.

 

Diagnóstico

  • Laboratorial inespecífico: em casos leves, leucopenia, discreta elevação de transami­nases e discreta albuminúria. Nas formas graves, leucopenia com neutrofilia e desvio à esquerda, plaquetopenia, alargamento de coagulograma, elevação importante de tran­saminases (acima de 1.000 UI), bilirrubinas (às custas da fração direta), fosfatase alcalina e GGT, alteração da função renal com au­mento de uréia e creatinina.
  • Específico:

 • Sorologia: Mac-ELISA (ELISA com cultu­ra de anticorpos IgM) – amostra colhida a partir do 5º dia da infecção, requer apenas uma amostra do soro; inibição de hemaglu­tinação, teste de neutralização, fixação de complemento – requerem amostras parea-das com elevação de títulos de anticorpo. • Virológico: isolamento viral. • Detecção de antígenos virais ou ácidos nucléicos: imunofluorescência, imunoisto­química e PCR. 

 

Tratamento

  • Não existe tratamento antiviral específico.
  • Os quadros clássicos ou fulminantes exigem internação para terapia de suporte.

 

Profilaxia

  • A vacina contra febre amarela possui alta eficácia, com duração de proteção por 10 anos. Deve ser aplicada pelo menos 10 dias antes da exposição. Está indicada para pessoas a partir de 9 meses de idade que residem ou viajam para áreas endêmicas, mas em casos de surtos ou epidemias, pode ser antecipada para 6 meses de idade.
  • Vacinação contra-indicada em crianças menores de 6 meses de idade, indivíduos imunossuprimidos, gestantes (avaliar risco/benefício), Aids (depende da situação imu­nológica) e pessoas com história de reação anafilática após ingestão de ovo.

 

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