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Definição
Etiologia
Clínica
Os sintomas negativos são, geralmente, os déficits, ou seja:
Alguns sintomas, embora não sejam específicos da esquizofrenia, são de grande valor para o diagnóstico: 1. audição dos próprios pensamentos (sob a forma de vozes); Habitualmente a irrupção da esquizofrenia se nota quando a família e os amigos observam que a pessoa mudou de comportamento, que já não é mais a mesma. A pessoa passa a funcionar mal em áreas significativas da vida cotidiana, como na escola ou trabalho, nas relações sociais e familiares. Freqüentemente há uma notável falta de interesse por cuidados de si mesmo. Os próprios pacientes experimentam os seguintes sentimentos: A. Perplexidade: no começo da doença os pacientes informam um sentimento de estranheza sobre a experiência, alguma confusão sobre de onde vêm os sintomas (normalmente alucinações) e se perguntam porque sua experiência diária tem mudado tanto. É classificada em seis tipos:
Diagnóstico A. Sintomas característicos: dois (ou mais) dos seguintes, cada qual presente por uma porção significativa de tempo durante o período de 1 mês (ou menos, se tratados com sucesso): B. Disfunção social/ocupacional: por uma porção significativa do tempo desde o início da perturbação, uma ou mais áreas importantes do funcionamento, tais como trabalho, relações interpessoais ou cuidados pessoais, estão acentuadamente abaixo do nível alcançado antes do início (ou, quando o início dá-se na infância ou adolescência, fracasso em atingir o nível esperado de aquisição interpessoal, acadêmica ou ocupacional). C. Duração: sinais contínuos da perturbação persistem por pelo menos 6 meses. Este período período de 6 meses deve incluir pelo menos 1 mês de sintomas. D. Exclusão de transtorno esquizoafetivo e transtorno do humor: o transtorno esquizoafetivo e o transtorno do humor com aspectos psicóticos são descartados, porque 1) nenhum episódio depressivo maior, maníaco ou misto ocorreu concomitantemente aos sintomas da fase ativa; ou 2) se os episódios de humor ocorreram durante os sintomas da fase ativa, sua duração total é breve relativamente à duração dos períodos ativo e residual. E. Exclusão de substância/condição médica geral: a perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., uma droga de abuso, um medicamento) ou a uma condição médica geral. F. Relação com um transtorno invasivo do desenvolvimento: se existe uma história de transtorno autista ou um outro transtorno invasivo do desenvolvimento, o diagnóstico adicional de esquizofrenia é feito apenas se delírios ou alucinações proeminentes também estão presentes por pelo menos 1 mês (ou menos, se tratados com sucesso).
Tratamento Para controle dos sintomas psicóticos é necessário tratamento de manutenção com antipsicóticos. Antipsicóticos sedativos Clorpromazina: 50-800 mg/dia. Levomepromazina: 25-50 mg/ dia. Trifluoperazina: 2-4 mg/dia. Tioridazina: 50-300 mg/dia. Observação: o principal efeito dos antipsicóticos sedativos é a sedação, ao contrário dos antipsicóticos incisivos (como o haloperidol), cujo efeito principal é a remoção dos chamados sintomas produtivos (delírios e alucinações). Os antipsicóticos sedativos têm melhor indicação nos casos de agitação psicomotora. Antipsicóticos incisivos Haloperidol: 5-15 mg/dia. Pimozida: 4-16 mg/dia. Pipotiazina: 10 a 20 mg/dia, injetável (dose variando de 25 mg a 200 mg de pipotiazina undecanoato e pipotiazina palmitato). Antipsicóticos atípicos e de última geração Amisulprida: 600-1.200 mg/dia. São os antipsicóticos mais recentemente introduzidos no mercado. Esses medicamentos têm se mostrado um novo e valioso recurso terapêutico nas psicoses refratárias aos antipsicóticos tradicionais, nos casos de intolerância aos efeitos colaterais extrapiramidais (rigidez muscular, tremores, movimentos involuntários, acinesia), bem como nas psicoses predominantemente com sintomas negativos, onde os antipsicóticos tradicionais podem ser ineficazes. Dos efeitos colaterais provocados pelos neurolépticos o mais estudado é a síndrome extrapiramidal, resultado da interferência medicamentosa na via nigro-estriatal, onde parece haver um equilíbrio entre as atividades dopaminérgicas e colinérgicas. Assim, o bloqueio dos receptores dopaminérgicos provocará uma supremacia da atividade colinérgica e, conseqüentemente, uma liberação de sintomas extrapiramidais. Estes efeitos colaterais, com origem no sistema nervoso central, podem ser divididos em cinco tipos: 1. Distonia aguda: ocorre com freqüência nas primeiras 48 horas de uso de antipsicóticos. Clinicamente observa-se movimentos espasmódicos da musculatura do pescoço, boca, língua e às vezes crises oculógiras. Deve-se fazer diagnóstico diferencial com crise convulsiva, tétano e transtorno conversivo. O tratamento é realizado com anticolinérgicos injetáveis (prometazina ou biperideno). 2. Parkinsonismo: geralmente acontece após a primeira semana de uso dos antipsicóticos. Clinicamente há tremor de extremidades, hipertonia e rigidez muscular, hipercinesia e fácies inexpressiva. O tratamento com anticolinérgicos é eficaz. Pode-se prevenir o parkinsonismo com prometazina ou biperideno via oral. 3. Acatisia: ocorre geralmente após o terceiro dia de uso da medicação. Clinicamente é caracterizada por inquietação psicomotora, desejo incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão. O paciente assume uma postura típica de levantar-se a cada instante, andar de um lado para outro e, quando compelido a permanecer sentado, não pára de mexer suas pernas. A acatisia não responde bem aos anticolinérgicos. Com freqüência é necessária a diminuição da dose ou mudança para outro tipo de antipsicótico, geralmente um atípico. 4. Discinesia tardia: aparece após o uso crônico de antipsicóticos (geralmente após 2 anos). Clinicamente é caracterizada por movimentos involuntários, principalmente da musculatura oro-língua-facial, ocorrendo protrusão da língua com movimentos de varredura látero-lateral, acompanhados de movimentos sincrônicos da mandíbula. O tronco, os ombros e os membros também podem apresentar movimentos discinéticos. A discinesia tardia não responde a nenhum tratamento conhecido, embora em alguns casos possa ser suprimida com a readministração do antipsicótico ou, paradoxalmente, aumentando-se a dose anteriormente utilizada. Procedimento questionável do ponto de vista médico. 5. Síndrome neuroléptica maligna: trata-se de uma forma raríssima de toxicidade provocada pelo antipsicótico. É uma reação adversa de hipersensibilidade à droga. Clinicamente se observa um grave distúrbio extrapiramidal acompanhado por intensa hipertermia, oscilação da pressão arterial, aumento de CPK e rabdomiólise. Leva a óbito numa proporção de 20 a 30% dos casos. O tratamento é realizado com suspensão do antipsicótico, hidratação, suporte em UTI e uso da bromocriptina.
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