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Episódio maníaco
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Definição
Presença de uma elevação do humor fora de proporção com a situação do sujeito.

Etiologia
Na sua maioria os episódios maníacos fazem parte do transtorno bipolar (antiga psicose maníaco-depressiva), quando se alternam com as fases de depressão; entretanto, nem todos os episódios maníacos são parte do transtorno bi­polar, podendo ocorrer de forma isolada e ten­do outras causas como efeitos fisiológicos dire­tos de medicamentos antidepressivos, terapia eletroconvulsiva, fototerapia ou medicamentos prescritos para outras condições médicas gerais (por ex., corticosteróides).

 

Clínica
O estado de humor está elevado, ocorre uma alegria contagiante ou uma irritação agressiva. Acompanham: elevação da auto-estima; senti­mentos de grandiosidade, podendo chegar a manifestação delirante de grandeza considerando-se uma pessoa especial, dotada de po­deres especiais; aumento da atividade motora com grande vigor físico e apesar disso com diminuição da necessidade de sono e dificuldade de ficar parado e se concentrar nas tarefas. Inicialmente, o paciente sente-se como se fosse ou pudesse ser uma grande personalidade; com o aprofundamento do quadro esta idéia torna-se uma convicção delirante.

O senso de perigo fica comprometido, e envolve-se em atividades que apresentam tanto risco para integridade física como patrimonial.

O comportamento sexual fica excessivamente desinibido e mesmo promíscuo, tendo numerosos parceiros num curto espaço de tempo.

Os pensamentos correm de forma incontrolável para o próprio paciente. A grande confusão de idéias constitui-se na interrupção de temas antes de terem sido completados para iniciar outro que, por sua vez também não é terminado e assim sucessivamente numa fuga de idéias. As principais características são:

  • diminuição do sono;
  • hiperatividade;
  • aceleração do pensamento;
  • idéias de grandiosidade;
  • sintomas psicóticos.

 

Diagnóstico
Clínico. Um episódio hipomaníaco ou maníaco em indivíduo que já tenha apresentado um ou mais episódios afetivos prévios (depressivo, hipomaníaco, maníaco ou misto) deve conduzir a um diagnóstico de transtorno afetivo bipolar.Os episódios maníacos devem ser diferenciados de episódios hipomaníacos. Embora episódios maníacos e episódios hipomaníacos tenham uma lista idêntica de sintomas característicos, a perturbação nos episódios hipomaníacos não é suficientemente severa para causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou ocupacional ou para exigir a hospitalização. Alguns episódios hipomaníacos evoluem para episódios maníacos completos.

Para se diagnosticar um episódio maníaco é necessário que:

A. Ocorra um período distinto de humor anor­mal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, durando pelo menos 1 semana (ou qualquer duração, se a hospitalização é necessária).

B. Durante o período de perturbação do hu­mor, três (ou mais) dos seguintes sintomas persistiram (quatro, se o humor é apenas irritável) e estiveram presentes em um grau significativo:

  • auto-estima inflada ou grandiosidade;
  • necessidade de sono diminuída (por ex., sente-se repousado depois de apenas 3 horas de sono);
  • mais loquaz do que o habitual ou pressa por falar;
  • fuga de idéias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão correndo;
  • distratibilidade (isto é, a atenção é desviada com excessiva facilidade para estímulos externos insignificantes ou irrelevantes);
  • aumento da atividade dirigida a objetivos (socialmente, no trabalho, na escola ou sexualmente) ou agitação psicomotora;
  • envolvimento excessivo em atividades prazerosas com um alto potencial para conseqüên cias dolorosas (por ex., envolvimento em surtos incontidos de compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros tolos). C. Os sintomas não satisfazem os critérios para episódio misto.

D. A perturbação do humor é suficientemen­te severa para causar prejuízo acentuado no funcionamento ocupacional, nas atividades sociais ou relacionamentos costumeiros com outros, ou para exigir a hospitalização, como um meio de evitar danos a si mesmo e a outros, ou existem aspectos psicóticos.

E. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., uma droga de abuso, um medicamento ou outro tratamento) ou de uma condição médica geral (por ex., hipertireoidismo).

Obs.: episódios do tipo maníaco nitidamente causados por um tratamento antidepressivo somático (por ex., medicamentos, terapia eletroconvulsiva, fototerapia) não devem contar para um diagnóstico de transtorno bipolar.

 

Tratamento
Estabilizador de humor [ver Transtorno bipolar do humor]

Antipsicóticos
Os antipsicóticos (incisivos e sedativos) são muito úteis quando a mania tem características psicóticas. Podem ser usados haloperidol (5-15 mg/dia) ou clorpromazina (25-200 mg/ dia).

Antipsicóticos atípicos, como a olanzapina, a clozapina, a ziprazidona e a risperidona estão ganhando espaço progressivamente, principal-mente nos casos refratários aos antipsicóticos tradicionais, bem como, principalmente, para evitar os efeitos colaterais destes

Benzodiazepínicos
Para os episódios de mania que não apresentam sintomas psicóticos (delírios, principalmente), mas com alto grau de inquietude, insônia e agitação intensas, podem associar-se aos estabilizadores do humor benzodiazepínicos potentes, como clonazepam (2 a 6 mg/dia) ou lorazepam (4 a 8 mg/dia). Superada a fase aguda do episódio o benzodiazepínico deve ser retirado gradualmente.

A eletroconvulsoterapia (ECT) também pode ser adicionada ao estabilizador do humor para tentar uma remissão mais rápida ou quando há risco ou forte suspeita de risco de suicídio.

 

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