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Definição
Intolerância à glicose, glicemia de jejum alterada.
Etiologia
Distúrbio biológico com alterações da tolerân-cia à glicose e/ou da glicemia de jejum, mas sem sinais clínicos de diabetes. 50% dos indi-víduos com pré-diabetes desenvolvem diabetes no prazo de 10 anos e apresentam risco 34% maior de morte por doença cardiovascular do que indivíduos saudáveis. Estima-se que 50% dos indivíduos com pré-diabetes apresentam uma síndrome metabólica [ver Síndrome metabólica].
Clínica
O pré-diabetes é assintomático, mas o risco de desenvolver diabetes e doença cardiovascular é elevado. O risco de doença cardiovascular seria mais associado à intolerância à glicose (hiper-glicemia pós-prandial). Fatores de risco de desenvolvimento de diabe-tes tipo 2:
- idade ≥ 45 anos;
- casos de diabetes mellitus na família (pais, filhos, tios, irmãos);
- diabetes gestacional ou macrossomia (peso > 4 kg no nascimento), abortos de repetição, mortalidade perinatal;
- síndrome dos ovários micropolicísticos;
- sobrepeso ou obesidade (IMC ≥ 25 kg/m2);
- dislipidemia (HDL-C baixo ou triglicérides elevados);
- sedentarismo;
- hipertensão arterial;
- uso de medicação hiperglicemiante (corticosteróides, tiazídicos, β-bloqueadores).
Observação: o desenvolvimento das complicações do diabetes (micro e macrovasculares) começa antes do diagnóstico clínico de diabetes.
Diagnóstico
O pré-diabetes é definido pelo IGT (intolerân-cia à glicose, ou tolerância à glicose diminuída) ou pelo IFG (glicemia de jejum alterada). IGT é identificado somente pelo teste TOTG (teste oral de tolerância à glicose), no qual os níveis de glicose plasmática são medidos após ingestão oral de 75 g de glicose. IGT é defi-nido como glicemia plasmática de 7,8-11,0 mmol/l, 2 horas após o início do OGTT (2 hPG – postchallenge glicose). IFG é caracterizado pela hiperglicemia de je-jum, após jejum mínimo de 8 horas. Segundo a OMS, a glicemia de jejum do IFG é 6,1-7,0 mmol/l.
Glicemia de jejum
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< 100 mg/dl
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< 6,1 mmol/l
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normal
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100 – 125 mg/dl
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6,1 – 7 mmol/l
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glicemia de jejum alterada
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≥ 126 mg/dl (em 2 medidas)
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≥ 7,0 mmol/l
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diabetes
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TOTG (2 horas após 75 g de glicose)
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< 140 mg/dl
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< 7,8 mmol/l
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normal
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140 – 199 mg/dl
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7,8 – 11,0 mmol/l
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intolerância á glicose
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≥ 200 mg/dl
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≥ 11,1 mmol/l
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diabetes
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Tratamento
O tratamento do pré-diabetes e da hiperglicemia pós-prandial é importante para a prevenção do diabetes e também das doenças cardiovasculares.
Mudança do estilo de vida
- Perda de peso/dieta.
- Atividade física: mínimo de 30 minutos por dia (ou 3 x 10 minutos) de atividade leve (marcha), 5 dias por semana.
- Suprimir tabagismo.
Farmacologia
- Acarbose: retarda a absorção dos carboidratos, diminui a hiperglicemia pós-prandial e a hipertrigliceridemia. Usar em complemento à dieta, com dosagem diária de 25 mg no início, durante as refeições. Efeitos adversos (meteorismo, flatulência, diarréia) diminuem com o uso continuado. Como não tem interação medicamentosa nem efeitos sistêmicos, é recomendada em pacientes idosos.
- Orlistat: diminui a absorção de gorduras. Usar em caso de obesidade associada.
- A metformina melhora a sensibilidade à insulina e pode prevenir o desenvolvimento do diabetes. Responsável por desconforto abdominal e diarréia transitória. Contra-indicada em pacientes com insuficiência renal (creatinina > 1,5 mg/dl em homens e > 1,4 mg/dl em mulheres), insuficiência cardíaca congestiva, doença hepática crônica (transaminases > três vezes o limite superior da normalidade) e uso abusivo de álcool.
- As glitazonas (rosiglitazona, pioglitazona) melhoram a sensibilidade à insulina e podem ser usadas no pré-diabetes, mas são responsáveis por ganho de peso.
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