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Diabetes / Neuropatia Diabética
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Definição
Distúrbio neurológico em pacientes diabéticos: mononeuropatia, polineuropatia, neuropatia autonômica.

Etiologia
Muito comum em quase todos os pacientes diabéticos, desde o diagnostico do DM. Apa-rece no diabetes de tipo 1 após 5 anos de evo-lução da doença.

Principais lesões:

  • polineuropatia sensório-motora simétrica;
  • neuropatia autonômica (cardiovascular, respiratória, digestiva, geniturinária). As lesões locais mais freqüentes são:
  • mononeuropatia focal (tibiais, medianos, pares cranianos III, IV, VI e VII);
  • neuropatia multifocal radicular (geralmente intercostal, toracoabdominal e lombar);
  • neuropatia multifocal multiplexos (localiza­ção variada);
  • plexopatia ou amiotrofia.

 

Clínica

Os sintomas sensório-motores característicos são:

  • dormência ou queimação em membros inferiores;
  • formigamento, pontadas, choques, agulhadas em pernas e pés;
  • desconforto ou dor ao toque de lençóis e cobertores;
  • diminuição ou perda de sensibilidade tátil, térmica ou dolorosa.

Observação: os sintomas funcionais são mais freqüentes no membro inferior, mas os mem­bros superiores podem também ser afetados. Alguns pacientes evoluem direto para a perda total de sensibilidade.

 

Diagnóstico
Os testes neurológicos básicos envolvem a avaliação de sensibilidade, pesquisa de reflexos tendinosos e medidas de pressão arterial (dei-tado e em pé) e freqüência cardíaca:

  • avaliação de sensibilidade dolorosa (palito ou agulha), tátil (algodão ou monofilamento de Semmes-Weistein 5.07 – 10 g), tér-mica (quente/frio) e vibratória (diapasão de 128 Hz ou bioestesiômetro);
  • reflexos tendinosos (aquileu, patelar e tricipital);
  • pressão arterial sistêmica em posição deitada e ortostática (hipotensão postural: queda da pressão arterial sistólica > 20 mmHg um minuto após assumir posição ortostática);
  • freqüência cardíaca de repouso: sugestiva de disautonomia cardiovascular quando valor acima de 100 bpm.

Outros testes neurológicos:

  • Avaliação de neurocondução, especialmente em membros inferiores, ou testes sensoriais quantitativos;
  • testes da regulação autonômica cardiovas­cular: medidas do intervalo RR, manobra de Valsalva, teste postural passivo, arritmia sinusal respiratória e esforço isométrico;
  • cintilografia com metaiodobenzilguanidi­na e tomografia por emissão de pósitrons (PET) com 11-c-hidroxiefedrina: medidas diretas da integridade simpática cardíaca.

Tratamento

O controle metabólico do diabetes diminui a freqüência e a intensidade da lesão neurológi­ca.

Neuropatia sensório-motora (dor, parestesia)

  • Acupuntura
  • Antidepressivos tricíclicos:
    • Amitriptilina: 25-150 mg VO/dia.
    • Imipramina: 25-150 mg VO/dia.
    • Nortriptilina: 10-150 mg VO/dia.
  • Anticonvulsivantes:
    • Carbamazepina: 200-800 mg VO/dia.
    • Gabapentina: 900-1.800 mg VO/dia.
  • Neuroléptico:
    • Flufenazina: 1-6 mg VO/dia.
  • Outros
    • Capsaicina: 0,075% creme.
    • Mexiletina: 300-400 mg VO/dia.
    • Clonidina: 0,1-0,3 mg VO/dia.
    • Duloxetina: 60-120 mg VO/dia.
  • Neuropatia autonômica
    • Disautonomia cardiovascular:
      • hipotensão postural: evitar mudanças pos­turais bruscas, recomenda-se uso de meias ou calças compressivas, elevação da cabe­ceira do leito (30 cm) e, quando necessário, uso de fludrocortisona 0,1-0,4 mg VO/dia.
    • Disautonomia gastrintestinal:
      • gastresofagiana: metoclopramida, cisaprida, domperidona;
      • intestinal (diarréia/constipação): antibiótico de amplo espectro e loperamida e difenoxi­lato; aumento da ingesta de fibra alimentar.
    • Disautonomia geniturinária:
      • bexiga neurogênica: treinamento para es­vaziamento vesical programado (completo com manobras de compressão abdominal e autosondagem); antibioticoterapia nas infecções urinárias e na sua prevenção, clori­drato de betanecol em caso de volume resi­dual pós-miccional significativo (> 100 ml);
      • disfunção erétil: sildenafil, vardenafil, tada­lafil. São também utilizadas drogas de uso intracavernoso ou intra-uretral (papaverina, fentolamina e prostaglandinas), prótese pe­niana e dispositivos a vácuo.

 

Medicamentos para o tratamento da disautonomia gastrintestinal

 

dose

Modo de utilização

Metoclopramida

5-20 mg

 

30 min antes das refeições e à

noite, ao deitar

Cisaprida

10-20 mg

30 min antes das refeições

Domperidona

 

10-20 mg

30 min antes das refeições e à

noite, ao deitar

 

Loperamida

 

2 mg

2 x/dia

 

Difenoxilato

2,5 mg

2 x/dia

 

 

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