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Diabetes Mellitus Tipo 2
Consultar Doenças - Outras

Definição
Defeito na ação e na secreção da insulina.

Etiologia
O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é a forma mais comum de diabetes (90% dos casos). Geralmente diagnosticado após os 40 anos, mas pode se desenvolver a qualquer idade. A maioria dos pacientes com essa forma de DM apresenta sobrepeso ou obesidade.

 

Clínica

Os sintomas mais freqüentes são:

  • sede excessiva;
  • fome exagerada (especialmente após as refei­ções);
  • boca seca;
  • náuseas e vômitos;
  • poliúria;
  • cansaço e fraqueza importantes;
  • visão borrada;
  • adormecimento ou formigamento dos pés ou mãos;
  • dificuldade de cicatrização;
  • impotência sexual;
  • infecções freqüentes da urina, pele ou vagi­na (candidíase vaginal).

Porém, em 50% dos casos, os pacientes são assintomáticos, ou apresentam complicações diabéticas (retinopatia, neuropatia, nefropatia, cardiovasculares).

Diagnóstico confirmado por glicemia de jejum ≥ 126 mg/dl.

 

Diagnóstico

Os critérios de diagnóstico de diabetes mellitus são:

  • Sintomas de poliúria, polidipsia e perda ponderal inexplicada acrescidos de glicemia casual acima de 200 mg/dl (glicemia reali­zada a qualquer hora do dia, independente­mente do horário das refeições).
  • Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dl (7 mmol/l). Em caso de pequenas elevações da glicemia, o diagnóstico deve ser confirmado pela re­petição do teste em outro dia.
  • Glicemia de 2 horas pós-sobrecarga de 75 g de glicose acima de 200 mg/dl.

 

jejum

TOTG

casual

Glicemia normal

< 100 mg/dl

< 140 mg/dl

 

Tolerância a glicose diminuída

100 – 125 mg/dl

140 – 199 mg/dl

 

Diabetes mellitus

≥ 126 mg/dl (em 2 medidas)

≥ 200 mg/dl

≥ 200 mg/dl (com sintomas clássicos)

TOTG: teste oral de tolerância à glicose (2h após ingestão de 75 g de glicose).

Jejum: falta de ingestão calórica por no mínimo 8 horas.

Observação: o diagnóstico de diabetes deve ser feito com dosagem plasmática, mais precisa do que as fitas reagentes.

 

Controle

  • Glicemia.
  • HbA1c (hemoglobina glicada): reflete a glicemia média de um indivíduo durante os dois a três meses anteriores ao teste. Duas vezes por ano em todos os diabéticos e 4 vezes em caso de mudança de tratamento.
  • Anual: exame oftalmológico, neurológico, cardiovascular.

Correlação entre HbA1c e glicemia.

5%

100 mg/dl

9%

240 mg/dl

6%

135 mg/dl

10%

275 mg/dl

7%

170 mg/dl

11%

310 mg/dl

8%

205 mg/dl

12%

345 mg/dl

 

Tratamento
O tratamento deve considerar idade, peso, resultados das glicemias e hemoglobina glicada, eventuais complicações existentes, comorbidades e contra-indicações.

Dieta + exercícios Dieta de restrição em caso de obesidade ou sobrepeso (diminuir de 500 a 1000 kcal/dia o consumo energético total, ou utilizar 20 kcal a 25 kcal/kg peso atual/dia). Promover atividade física adaptada e regular, após teste de esforço. Exercícios aeróbicos e de resistência de 3 a 5 x/semana. Total: 150 mi-nutos/ semana.

Farmacologia A regra geral, em um diabetes iniciante, é começar o tratamento com medicamentos que melhoram a ação da insulina, e, em segunda fase, medicamentos que aumentam a secreção de insulina. Na terceira fase, após anos de evolução é preciso associar insulina aos agentes orais. 1. DM2 oligossintomático + obesidade/sobre-peso + glicemia < 270 mg/dl.

Iniciar com medicamentos que melhoram a utilização da insulina, como metformina 500 mg 2 x/dia (após almoço e jantar). Após uma semana, se não tiver efeitos gastrintestinais (diarréia, flatulência), aumentar dosagem até 2.550 mg/dia no máximo. Caso o controle não seja obtido, usar glitazonas (1 x/dia):

  • Rosiglitazona: 4 mg/dia (máx. 8 mg/dia).
  • Pioglitazona: 8 mg/dia (máx. 45 mg/dia).

 

Observação: aumentar dosagem somente após intervalo de 8 a 12 semanas.

Caso o controle não seja obtido, adicionar sulfoniluréia de segunda geração ou insulina NPH ao deitar.

2. DM2 oligossintomático + magro + glicemia < 270 mg/dl.

Iniciar com medicamentos que aumentam a secreção de insulina, como sulfoniluréia de se­gunda geração (1 a 2 x/dia):

  • Glibenclamida: 5 mg/dia.
  • Glimepirida: 2 mg/dia.
  • Glipizida: 5 mg/dia.
  • Glicazida: 30 mg/dia.

Aumentar dosagem se necessário após 2 sema­nas.

Pode-se associar acarbose (3 x/dia), que retarda a absorção da glicose.

Caso o controle não seja obtido, usar glitazo­nas ou metformina.

3. DM2 assintomático, recém-diagnosticado + glicemia pouco alterada/hiperglicemia pós-prandial.

Usar glinidas que agem do período pós-pran­dial, se peso normal/sobrepeso leve (em 3 x/dia):

  • Repaglinida: 0,5 a 16 mg/dia.
  • Nateglinida: 120 a 360 mg/dia.

Usar acarbose (3 x/dia) se obesidade.

4. Após décadas de diabetes, com a progressão da perda de secreção da insulina, é necessá­rio associar, aos agentes orais, uma injeção de insulina ao deitar. Quando predomina

insulinopenia, o paciente deve receber uma ou duas aplicações de insulina de depósito (NPH ou análogos de ação prolongada), uma antes do desjejum e outra antes do jantar ou ao deitar, isoladas ou combinadas com uma insulina rápida ou ultra-rápida.

  • Insulina ao deitar: 0,15 U/kg/dia.
  • Insulinização plena (2 ou mais doses de in­sulina por dia): 0,8 a 1 U/kg/dia.

 

Agentes antidiabéticos VO

Medicamentos (mg/dia)

Mecanismo de ação

¯Glicemia de jejum (mg/dl)

¯HbA1c (%)

Contra-indicação

Efeitos colaterais

Outros efeitos benéficos

Sulfoniluréias (1 a 2 x/dia)

 

 

 

 

 

 

Clorpropamida 125 a 500 mg/dia

Glibenclamida 2,5 a 20 mg/dia

Glipizida

2,5 a 20 mg/dia

Glicazida

40 a 320 mg/dia

Glicazida MR 30 a 120 mg/dia

Glimepirida

1 a 8

Aumento da secreção de insulina

60-70

1,5-2

Gravidez

Insuf. renal

Insuf. hepática

 

Hipoglicemia

­ peso (clorpropamida favorece aumenta da pressão arterial e não protege contra retinopatia

Metiglinidas

(3x/dia)

 

 

 

 

 

 

Repaglinida

0,5 a 16 mg/dia

Nateglinida

120 a 360 mg/dia

Aumento da secreção de insulina

20-30

0,7-1

gravidez

Hipoglicemia

Ganho de peso discreto

¯espessamento médio intimal carotídeo (repaglinida)

Biguanidas

(2x/dia)

 

 

 

 

 

 

Metformina 1000 a 2550 mg/dia

Reduz a produção hepática de glicose com menor ação sensibbilzadora da ação da insulina

60-70

1,5-2

Gravidez

insuf. renal, insuf.hepática, insuf. cardíaca, pulmonar e acidose grave

Desconforto abdominal, diarréia

¯eventos cardiovasculares, prevenção de DM2, e melhora do perfil lipídico, ¯ peso

Inibidores da alfaglicosidase

(3x/dia)

 

 

 

 

 

 

Acarbose

50 a 300 mg/dia

Retardo da absorção de carboidratos

20-30

0,7-1

Gravidez

Meteorismo, flatulência, diarréia

Diminuição de eventos cardiovasculares, prevenção DM2, ¯ espessamento médio intimal carotídeo, melhora do perfil lipídico

Glitazonas

(1x/dia)

 

 

 

 

 

 

Rosiglitazona

4 a 8 mg/dia

Pioglitazona

15 a 45 mg/dia

Aumento da sensibilidade à insulina em músculo, adipócito e hepatócito

35-65

1,2-2

Insuf. cardíaca classes III e IV, insuf. hepática, gravidez

Edema, anemia e ganho ponderal

Prevenção DM2

¯ espessamento médio intimal carotídeo, melhora do perfil lipídico, ¯ gordura hepática

Gliptinas

1 x/dia

Melhora

a função da célula b

 

 

Diabetes tipo 1

 

 

Vildagliptina

50 a 100 mg/dia

 

 

 

 

 

 

Sitagliptina

100 mg/dia

 

 

 

 

 

 

 

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