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Dengue
Consultar Doenças - Outras

Definição
Doença febril aguda causada pelo vírus da dengue.

Etiologia
O vírus da dengue é um arbovírus do gênero Flavivírus, com 4 sorotipos conhecidos: 1, 2, 3 e 4. A transmissão ocorre através da picada do mosquito fêmea Aedes aegypti infectado por vírus. Não existe transmissão inter-humana. Descrita pela primeira vez há mais de 200 anos na região das Filipinas e Tailândia, atualmente está presente praticamente em todas as regiões tropicais e subtropicais, concentrada principalmente na região do Caribe, América do Sul, Sudoeste da Ásia e região do Pacífico Ocidental.

No Brasil, as epidemias têm se espalhado para todas as regiões geográficas, com maior concen­tração dos casos no período das chuvas, época de melhor condição ambiental para desenvol­vimento e proliferação do mosquito vetor.

 

Clínica

  • Período de incubação: média de 5 a 6 dias, porém pode variar de 3 a 15 dias.
  • Na maioria dos casos, a evolução é benigna. A infecção pode ser assintomática/oligossin­tomática ou pode apresentar duas formas clínicas: dengue clássico e febre hemorrági­ca/síndrome do choque da dengue.
  • Dengue clássica: caracterizada pela febre de início abrupto, acima de 390 C, seguida de cefaléia, mialgia, astenia, prostração, artral­gia, dor retro-orbitária, anorexia, náusea, vômitos, dor abdominal, exantema e pruri­do cutâneo. Pode ocorrer aparecimento de petéquias e leves manifestações hemorrági­cas como epistaxe, gengivorragia, hematú­ria, sangramento intestinal e metrorragia. Geralmente os sintomas começam a regre­dir após 5 a 7 dias, porém pode persistir a fadiga.
  • Febre hemorrágica/síndrome do choque da dengue: sintomas iniciais semelhantes à for­ma clássica, porém no 3o ou no 4o dia há piora da dor abdominal, com queda impor­tante do estado geral, agitação ou letargia, palidez cutânea, taquicardia, pulso rápido e fraco, hipotensão com redução da pressão diferencial, hipotermia, cianose, derrames cavitários e manifestações hemorrágicas es­pontâneas com aparecimento de petéquias, equimoses, púrpuras, enterorragia ou hema­têmese.
  • Classificação de gravidade das formas he­morrágicas da dengue (OMS):
    • Grau 1 – febre e sintomas inespecíficos em prova do laço positiva.
    • Grau 2 – grau 1 + hemorragias espontâneas leves.
    • Grau 3 – colapso circulatório com pulso fraco e rápido, estreitamento da PA ou hi­potensão, hipotermia e inquietação.
    • Grau 4 – choque profundo com ausência da PA e pressão de pulso imperceptível.
  • O paciente pode iniciar num estágio e poste­riormente evoluir para outro.

 

Diagnóstico

  • Laboratorial inespecífico: hemograma com elevação de hematócrito e plaquetopenia sendo mais acentuadas na forma hemorrági­ca, e leucopenia com linfocitose e atipia lin­focitária (eventualmente, leucocitose). Na forma hemorrágica, pode ter alargamento dos tempos de coagulação, queda de albu­mina e alterações de TGO e TGP.
  • Específico: sorologias (Mac-ELISA – captura de anticorpo IgM, sendo possível realizar diagnóstico de infecção recente ou ativa; inibição de hemaglutinação, teste de neutra- lização e fixação de complemento – necessi­tam de amostras pareadas com elevação de 4 x do título), detecção de antígenos (IFI), PCR ou isolamento viral.

 

Tratamento

  • Não existe tratamento específico. Deve ser dada terapia de suporte e sintomáticos (não se deve utilizar ácido acetilsalicílico e antiin-flamatórios não-hormonais).
    • Sinais de alerta em que o paciente deve ser mantido sob observação:
    • dor abdominal intensa e contínua;
    • vômito persistente;
    • hepatomegalia dolorosa;
    • derrames cavitários;
    • sangramentos importantes;
    • PAS ≤ 90 mmHg ou redução da diferença de pressão sistólica e diastólica ≤ 20 mmHg, pulso rápido e fraco;
    • hipotensão postural, taquicardia, lipotimia;
    • redução da diurese;
    • agitação ou letargia;
    • hipotermia associada à sudorese profusa e extremidades frias;
    • cianose;
    • elevação súbita de hematócrito (variação de 20%).
  • Em casos de sinais ou sintomas de choque, deve-se iniciar o restabelecimento de vole­mia e correção da acidose. Atentar para si­nais de insuficiência cardíaca.

 

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