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Condrocalcinose
Consultar Doenças - Outras

Definição
Depósito de cristais de diidratado e pirofosfato de cálcio na cartilagem articular, meniscos, sinóvia, estruturas tendinosas e ligamentares.

 

 

Etiologia
Descrita por Zitnan e Sitaj, em 1963, como condrocalcinose articular, com base no acha­do radiológico dos depósitos. Foi descrito posteriormente um grupo de pacientes que tinha surtos de artrite, semelhantes à gota e designou-se o quadro de pseudogota. A dife­renciação se faz pela presença de depósitos de cristais de cálcio e pela demonstração de cris­tais de pirofosfato de cálcio no líquido sinovial. É doença incomum, atingindo principalmente pessoas na 6ª ou 7ª décadas, sendo rara antes dos 40 anos.

 

Clínica
Pseudogota isolada (25% dos casos): ataques desencadeados por estresse cirúrgico ou doen­ça severa. Manifesta-se como surtos agudos ou subagudos autolimitados, freqüentemente tão severos quanto os da gota; com duração de 1 a 28 dias e com intervalo livre assintomático. Acomete uma ou poucas articulações perifé­ricas (50% joelhos, 10% primeira articulação carpometacarpiana). Não leva a deformidades ou causa alterações articulares leves.

Pseudogota forma reumatóide (5% dos casos): rigidez matinal, tumefação das pequenas arti­culações das mãos, espessamento sinovial, con­tratura em flexão. Em 10% dos casos o fator reumatóide é positivo. Os ataques duram de 4 semanas a vários meses. As articulações mais acometidas são: punhos, cotovelos, metacarpo­falângicas, joelhos e ombros. Buscar imagens de calcificação articular em radiografias de pu­nhos, púbis e joelhos.

Pseudogota forma osteoartrítica (50% dos ca­sos): o envolvimento geralmente é bilateral com degeneração progressiva de múltiplas articulações. Evolui cronicamente por meses ou anos. Compromete predominantemente os joelhos, punhos, articulação metacarpofalângi­ca, articulações coxofemorais, ombros, cotove­los e tornozelos.

Pseudogota forma assintomática (20% dos ca­sos): calcificações típicas da pseudogota no exame radiográfico, principalmente nos joe­lhos, porém sem manifestações clínicas.

 

Diagnóstico
O achado característico do líquido sinovial da pseudogota é a presença de cristais de pi­rofosfato de cálcio (curto com extremidades rombas).

Método de identificação e visualização dos cristais:

  • microscopia de luz polarizada compensada: birrefringência positiva fraca;
  • a difração pela radiografia é a técnica mais segura de identificação, mas de difícil ob­tenção na rotina.

Radiologia: o material aparece na cartilagem hialina e fibrosa como calcificação coalescente em linhas ou bandas paralelas à borda do osso subcondral. Os locais mais freqüentemente acometidos são: menisco do joelho, ligamento triangular do corpo e fibrocartilagem da sínfise púbica. Qualquer articulação pode ser acome­tida. Estas alterações são acompanhadas de le­sões degenerativas.

Associações da pseudogota com outras doenças são freqüentes e devem ser descartadas:

  • diabetes mellitus;
  • artrite gotosa;
  • hiperparatireoidismo;
  • hemocromatose;
  • hipotireoidismo;
  • doença de Wilson;
  • hipofosfatasia;
  • ocronose;
  • acromegalia.

 

Tratamento
Envolve medidas sintomáticas. Tratam-se as crises com AINEs, podendo-se chegar aos seletivos. Não há tratamento de base. Deve-se orientar os pacientes para evitarem traumatis­mos articulares que são com freqüência preci­pitantes de crises.

 

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