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Cólera
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Definição
Doença diarréica aguda causada pelo Vibrio cholerae.

 

 

Etiologia
As espécies de V. cholerae são classificadas em sorogrupos O1 e não-O1 de acordo com deter­minante carboidrato do seu antígeno O lipo­polissacáride. As grandes epidemias de cólera no mundo são causadas pelo sorogrupo O1, embora raramente as espécies não-O1 também podem provocar quadros de diarréia aguda. V. cholerae possui como seu habitat natural águas salgadas do litoral. A infecção em hu­manos ocorre de forma acidental, porém, após infecção, os homens tornam-se responsáveis pela sua disseminação. A infecção geralmente ocorre através da ingestão de água e alimen­tos contaminados. Em países desenvolvidos, a principal forma de transmissão é a ingestão de frutos do mar crus contaminados.

Doença de maior incidência em países subde­senvolvidos e países em desenvolvimento. Em regiões endêmicas, a doença ocorre principal­mente nas estações de verão e inverno. O moti­vo da ocorrência sazonal ainda não está muito esclarecido; aparentemente, fatores ambientais que influenciam na replicação da bactéria e o comportamento das pessoas facilitam a disse­minação da doença.

A cólera teve início na região do delta de Gan­ge na Índia. Desde 1817, dezessete pandemias ocorreram no mundo. A pandemia atual, cau­sada pelo biótipo El Tor, teve início na Indoné­sia em 1961, disseminando rapidamente para outras regiões da Ásia, alcançando a África no início da década de 70, e posteriormente atin­gindo regiões da Europa e Américas. Somente em 2005, mais de 130.000 casos foram notifi­cados em 52 países, com mais de 2.000 óbitos. O continente africano foi responsável por mais de 94% de todos os casos notificados no mun­do. No continente americano, durante o ano de 2005, foram notificados 24 casos origina­dos de três países: Brasil, Canadá e EUA.

 

Clínica
Período de incubação de 18 horas a 5 dias. A infecção pode ser assintomática e autolimita­da. Em casos sintomáticos, os sintomas apa­recem abruptamente, caracterizados principal­mente por diarréia e vômitos. A diarréia possui aspecto característico de água de arroz e pode apresentar odor de peixe. O vômito geralmen­te possui aspecto aquoso, alcalino e claro. Em casos leves, os pacientes podem apresentar sensação de sede excessiva, hipotensão postu­ral e taquicardia. Nos casos graves, a diarréia é abundante, com perda de 500 a 1.000 ml/hora de líquidos, causando desidratação acentuada, oligúria, sintomas de acidose metabólica, sono­lência e coma. A febre geralmente é ausente.

As principais complicações são decorrentes da perda hidreletrolítica com reposição ina­dequada. Os pacientes podem evoluir com insuficiência renal aguda, hipoglicemia e hi­pocalemia. Em gestantes, o abortamento ou parto prematuro podem ocorrer. Casos graves podem apresentar choque hipovolêmico, le­vando a óbito.

 

Diagnóstico

  • Hemograma: elevação de hematócrito de­vida à hemoconcentração, leve leucocitose com neutrofilia.
  • Alteração da função renal com elevação de uréia e creatinina, potássio normal ou dimi­nuído.
  • Gasometria com queda de pH e bicarbona­to, e aumento do ânion gap.
  • Microbiológico: visualização de V. cholerae nas fezes através do campo escuro. Isola-mento laboratorial é feito no meio de cultura TCBS (agár tiossulfato-citrato-sais de bile-sacarose). A cultura deve ser realizada o mais precocemente possível, pois após o 3o dia da sintomatologia, a positividade do exame reduz progressivamente.
  • Sorológico.
  • Detecção de DNA através de PCR.

 

Tratamento

  • A hidratação é a medida mais importante. Deve-se fazer reposição imediata de volumes com soluções hidreletrolíticas. A reposição oral é preferencial.
  • Antibióticos: reservados para formas graves.
    • Crianças menores de 8 anos de idade: SMX (50 mg/kg/dia)/TMP (10 mg/kg/dia) 12/12 horas por 3 dias.
    • Maiores de 8 anos de idade e adultos:
  • Tetraciclina 500 mg 6/6 horas por 3 dias.
  • Tetraciclina 2 g dose única.
  • Doxiciclina 300 mg dose única.
  • Ciprofloxacina 30 mg/kg máx. 1 g dose única.
  • Ciprofloxacina 15 mg/kg 12/12 horas, máx. 1 g/dia por 3 dias.
  • Eritromicina 40 mg/kg/dia de 8/8 ho­ras por 3 dias.
    • Gestantes: ampicilina 500 mg 6/6 horas por 3 dias. 

Profilaxia

  • Saneamento básico: água potável ou clora­da, tratamento de esgoto, disposição ade­quada do lixo.
  • Higiene alimentar: lavagem de alimentos crus.
  • Controle portuário.
  • Detecção precoce de casos.
  • Não é indicada a quimioprofilaxia de conta­tos.
  • A vacinação não é indicada pela baixa eficá­cia e curta duração de imunidade, além de não evitar a infecção assintomática.

 

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