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Botulismo

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Definição
Doença causada por neurotoxina produzida pela bactéria anaeróbica Clostridium botulinum.

Etiologia
O botulismo pode ser adquirido por via alimentar (alimentos contaminados/mal conservados), intestinal (proveniente da própria flora intestinal), ou, mais raramente, acidental (ferimento contaminado). A neurotoxina é absorvida, cai na circulação e atinge a junção neuromuscular, onde impede a liberação de acetilcolina dos neurônios para os músculos efetores, causando paralisia flácida. Também inibe a liberação de acetilcolina em terminações autonômicas. Há sete tipos de toxinas (A, B, C, D, E, F, G), sendo as mais implicadas na doença humana as toxinas A, B e E.
Cosmopolita, embora com baixa incidência, apresenta-se na forma de surtos ou de casos esporádicos. Os alimentos mais envolvidos são conservas vegetais, embutidos e queijos. É doença de notificação compulsória devido à importância da identificação da fonte alimentar, evitando-se novas infecções.

 

Clínica

  • Botulismo alimentar: o período de incubação varia de 6 horas a 10 dias, sendo a doença mais grave quanto mais curta for sua incubação. Inicialmente surgem sin-tomas digestivos como náuseas, vômitos e diarréia associados a turvamento visual e disfagia. Após 24-48 horas, surgem as manifestações oculares (midríase paralítica, ptose palpebral, diplopia, estrabismo), motoras (paralisia flácida descendente, bilateral e simétrica, iniciando-se com disfonia, disartria e disfagia, podendo evoluir com tetraplegia flácida e acometimento da musculatura respiratória) e relacionadas ao sistema nervoso autônomo (xerostomia, xeroftalmia, obstipação, retenção urinária aguda, hipotensão, arritmias). Não há febre e o nível de consciência permanece inalterado. O quadro clínico dura de semanas a meses.
  • Botulismo intestinal: ausência de fonte de toxina botulínica. Normalmente o paciente tem doença subjacente ou recebeu antibióticos que podem ter alterado sua flora intestinal. Quadro clínico similar ao botulismo alimentar, com evolução em semanas.
  • Botulismo por ferimentos: associado a traumatismos extensos e ao uso de drogas EV ou inalatórias. Período de incubação de 4 a 21 dias. Semelhante ao botulismo alimentar, mas não há os sintomas digestivos iniciais.
  • Complicações: insuficiência respiratória, pneumonia aspirativa.

 

Diagnóstico

  • Etiológico: detecção da toxina botulínica em soro, fezes, lavado gástrico, alimentos, exsudato e tecidos de ferimentos. Isolamento do C. botulinum em fezes, alimentos, exsudato e tecidos de ferimentos.
  • Complementares: eletroneuromiografia – impulso bloqueado em nível muscular; LCE – normal ou discreto aumento de proteína (diagnóstico diferencial com síndrome de Guillain-Barré); teste de anticolinesterase normal (diagnóstico diferencial com miastenia gravis).
  • Tratamento
  • Soroterapia específica com soro heterólogo específico ou polivalente (anti-A, B e E) que deverá ser solicitado ao Centro de Vigilância Epidemiológica (0800 555466).
  • Imunoglobulina humana antibotulínica – ainda não disponível no Brasil.
  • Metronidazol 500 mg 8/8 horas EV ou penicilina 10.000.000 a 20.000.000 UI/dia EV por 7-10 dias (botulismo por ferimento).
  • Lavagem gástrica e intestinal (botulismo alimentar).
  • Suporte avançado de vida em unidade de terapia intensiva.

 

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