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Arritmias / Bloqueio atrioventricular
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Definição
Distúrbio permanente ou transitório da condução do estímulo elétrico entre o nó sinusal e os ventrículos cardíacos.

 

 

Etiologia
As principais causas dos bloqueios atrioventriculares (BAV) são: doença de Lenègre, doença de Lev, IAM, doença de Chagas, colagenases e endocardites. Os bloqueios podem ser proximais (ou supra-hissianos) ou distais (ou intra/infra-hissianos). No primeiro, o bloqueio está no nó AV e, no segundo, o bloqueio está no feixe de Hiss (intrahissiano) ou abaixo dele (infra-hissiano). Para ajudar a diferenciá-los, temos que analisar o complexo QRS. Se o QRS for normal, o bloqueio é supra-hissiano ou intra-hissiano (não pode ser infra-hissiano). Se o complexo QRS for alargado, o bloqueio deve ser infra-hissiano.
Os BAV de 1º grau e de 2º grau Mobitz I são geralmente supra-hissianos, portanto são benignos e respondem bem a atropina.

 

Clínica
Os sintomas mais comuns são síncopes, tonturas, palpitações. Podem ser assintomáticos, especialmente em bloqueio congênito. Deve-se avaliar o caráter reversível (bloqueio por isquemia, uso de medicamentos ativos sobre a condução cardíaca) ou irreversível do bloqueio. O quadro mais freqüente é a tontura, de diagnóstico difícil, especialmente em idosos, podendo ser confundida com vestibulopatia. Há risco de morte súbita.
Os bloqueios supra-hissianos são geralmente benignos. Os infra-hissianos são de pior prognóstico e não melhoram ou pioram com atropina.

 

Diagnóstico
BAV de 1º grau: é caracterizado por um intervalo P-R > 200 ms. A grande maioria (mais de 85% dos casos) é de origem supra-hissiana.

Figura 1

BAV de 2º grau Mobitz I: presença de ondas P bloqueadas (ausência de onda P a cada determinado período de tempo). Se a cada 2 com-plexos QRS temos 1 onda P, diz-se que é um bloqueio 2:1. Quando temos um bloqueio do tipo 3:1 (ou mais de 1 onda P bloqueada em seguida), diz-se que é um BAV avançado.
O que caracteriza o Mobitz I é o aumento progressivo do intervalo P-R até que a onda P seja bloqueada. Isso é chamado de fenômeno de Wenckebach.

Figura 2

 

BAV de 2º grau Mobitz II
Neste bloqueio não ocorre o fenômeno de Wenckebach, ou seja, existe ausência de onda P a cada determinado período de tempo, mas o intervalo P-R é igual. Da mesma forma, se houver mais de uma onda P bloqueada em seguida é um BAV avançado. O complexo QRS geralmente é alargado.
O estudo eletrofisiológico é o melhor exame para determinar se este bloqueio é supra-hissiano ou infra/intra-hissiano.

Figura 3

 

BAV de 3º grau ou BAV total (BAVT)
Neste bloqueio as ondas P não guardam nenhuma relação com os complexos QRS, o átrio passa a ter os seus ritmos comandados por fontes diferentes.
AR


BAV avançado
É quando existem 2 ou mais ondas P bloqueadas em seguida (3:1, 4:1 etc.)

Figura 5


Exames: ECG, Holter de 24 horas, radiografia de tórax, ecocardiograma, teste ergométrico.


Tratamento
Os BAV de 1º grau e de 2º grau Mobitz I são geralmente supra-hissianos, portanto são benignos e respondem bem a atropina (atropina 0,5 mg IV). Os BAV 2º grau Mobitz II e superior necessitam a instalação de marca-passo.


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