Definição
Inflamação do apêndice vermiforme devido a obstrução, proliferação bacteriana e distensão do apêndice.
Etiologia
A inflamação resulta em isquemia e pode evoluir para necrose e perfuração, responsável por peritonite. As causas mais comuns de obstrução do lúmen apendicular são: hiperplasia dos folículos linfóides por origem infecciosa, fecálitos, parasitas (áscaris, oxiúro, tricocéfalo), hiperplasia linfóide, bário e outros corpos estranhos, tumores (carcinóide é o mais comum), diminuição da motilidade intestinal por doença de Hirschsprung ou íleo meconial. Mais freqüente em adolescentes e adultos jovens do sexo masculino. A apendicite é uma urgência cirúrgica.
Clínica
Os sintomas ocorrem nesta ordem: anorexia, dor abdominal inicialmente em epigástrio ou mesogástrio de moderada intensidade, náuseas ou vômitos, febre moderada (< 38,3 °C), alteração no hábito intestinal (constipação ou diarréia). Após aproximadamente 12 horas a dor se localiza na fossa ilíaca direita (ponto de McBurney, quadrante inferior direito, 70% dos casos). Dor contínua, de baixa intensidade, agravada com movimentos, tosse. A permanência da dor por mais de 6 a 12 horas, com sintomas associados, é suficiente para indicar a cirurgia. A apendicite deve ser sistematicamente evocada em frente a qualquer dor abdominal aguda.
Na maioria dos casos, o diagnóstico é simples. Mas a sintomatologia atípica é freqüente, especialmente em caso de apêndice retrocecal, sub-hépatico, diabetes, Aids, ou pacientes portadores de doenças neurológicas: pode se manifestar por disúria, dor lombar, diarréia, dor no membro inferior homolateral.
- Crianças: letargia, vômitos, diarréia. Diagnóstico tardio, principalmente nos menores de dois anos, quando a apendicite é incomum.
- Idosos: diagnóstico também tardio, com temperatura menos elevada e dor abdominal mais discreta. Maior incidência de perfuração e maior mortalidade.
Diagnóstico
Posição antálgica. Mobilidade espontânea da parede abdominal.
Sinal de Blumberg: dor à descompressão brusca na fossa ilíaca direita – defesa muscular.
Sinal de Rovsing: dor na fossa ilíaca direita à compressão retrógrada dos gases na fossa ilíaca esquerda e flanco esquerdo.
Sinal de Lenander: diferença de temperatura axilar e retal em torno de 1 °C (salvo em casos de febre elevada).
Sinal do psoas ou de Lapinsky: dor à compressão do ceco contra a parede posterior do abdome, enquanto o paciente eleva o membro inferior direito estendido.
Sinal do obturador: rotação externa da coxa fletida de tal maneira que ponha em ação o músculo obturador interno irritado pelo apêndice perfurado.
Toque retal e ginecológico (diferenciar de doença inflamatória pélvica).
Hemograma (leucocitose moderada).
Rotina de abdome agudo, ultra-som abdominal e tomografia computadorizada.
Diagnóstico diferencial: gastroenterite aguda, linfadenite mesentérica, úlcera duodenal perfurada, cálculo ureteral à direita, colecistite aguda, distúrbios da coluna vertebral, febre tifóide, porfiria aguda, infecção urinária aguda, torção do epíploon, abscesso perirrenal, tuberculose intestinal, diverticulite de Meckel, diverticulite aguda do cólon, prenhez tubária, anexite aguda, torção de cisto de ovário, salpingite aguda, endometriose ovariana, trombose mesentérica, ovulação, obstrução intestinal, pneumonia (criança).
Tratamento
É sempre cirúrgico (laparotomia ou laparoscopia) e deve ser o mais precoce possível. Deve-se iniciar antibioticoterapia ainda no pré-operatório que será mantida por 24 horas nos casos iniciais sem perfuração, abscesso ou peritonite. Cefoxitina ou clindamicina /metronidazol + aminoglicosídeos ou cefalosporina de 3ª geração.
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