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Amebíase

Consultar Doenças - Infecções

Definição
Infecção causada pelo protozoário Entamoeba histolytica.

Etiologia
Infecção causada pela ingestão de cistos viáveis, geralmente por meio de água e alimentos contaminados ou mãos de pessoas portadoras do agente. Forma rara de transmissão via prática de sexo oral/anal. Estima-se que 10% da população mundial esteja infectada pelo Entamoeba, principalmente em regiões com baixa condição de saneamento básico, particularmente em países da América Central e América do Sul, sul da Ásia e África. Os principais grupos de risco são viajantes para países de alta prevalência, homens homossexuais e institucionalizados.

 

Clínica

  • Assintomático em 90% dos casos.
  • Forma intestinal: 2 a 6 semanas após ingestão de cistos. Dor abdominal de intensidade variada, diarréia com sangue e muco, de leve a moderada, astenia, perda de peso. Quando há envolvimento cecal, ocorrem 10 a 12 evacuações/dia. Febre geralmente ausente (em apenas 40% dos casos).
  • Forma intestinal fulminante: dor abdominal 4+, febre alta, diarréia 4+. Manifestação de megacólon tóxico pode estar presente. Geralmente em usuários de corticosteróides.
  • Abscessos hepáticos amebianos: ocorrem tardiamente após infecção inicial (95% após 5 meses). Febre baixa, dor no hipocôndrio direito com irradiação para dorso e dor pleurítica, derrame pleural +, icterícia. Diarréia em menos que 30% dos casos. Idosos são menos sintomáticos e geralmente apresentam hepatomegalia crônica. Envolvimento pleuropulmonar em 20 a 30% dos casos; fístula hepatobrônquica (manifesta-se com tosse produtiva com material necrótico com presença de amebas); ruptura do abscesso para cavidade peritoneal; e ruptura para pericárdio (geralmente em abscessos do lobo esquerdo).
  • Outras formas extra-intestinais: geniturinário (úlcera genital dolorosa com secreção abun¬dante), abscessos cerebrais (em 0,1% dos casos, com sintomas localizatórios).

 

Diagnóstico

  • Laboratorial: protoparasitológico de fezes (PPF) com demonstração de trofozoítos de Entamoeba histolytica (sensibilidade de 75 a 95% na forma entérica). Sorologias (E lisa), com sensibilidade maior que 90% em formas intestinais e abscesso hepático. Importante associar a manifestação clínica (teste só negativo 6 a 12 meses após o tratamento). Útil para formas extra-intestinais e em pacientes com colite ulcerativa antes da instituição de corticoterapia.
  • Biologia molecular (PCR): vantagem de maior sensibilidade e especificidade, no entanto, é mais custosa e mais demorada.
  • Histopatológico: indicado em casos de PPF negativo. Risco de perfuração com casos de colite fulminante.
  • Radiológico: USG e TC – abdome e RM. Importantes para formas extra-intestinais, geralmente apresentam-se na forma de cisto hipocóico/hipoecogênico. Após o tratamen¬to, as imagens podem demorar de 6 meses a um ano para desaparecerem.
  • Diagnóstico diferencial
  • Formas entéricas: diarréias bacterianas (Campylobacter sp, Escherichia coli entero-invasiva, Shigella sp, Salmonella sp e espécies de víbrios).
  • Abscesso hepático: doenças de vias biliares (colecistite, colelitíase) e pulmonares, abscessos piogênicos.

 

Tratamento

  • Metronidazol 500-750 mg VO ou EV 8/8 horas por 5 a 10 dias.
  • Tinidazol 2 g ao dia VO por 3-5 dias.
  • Secnidazol 1,5 g VO ao dia por 3 dias.
  • Drenagem do abscesso: quando há falha de resposta clínica após 3 a 5 dias; sinais iminentes de ruptura; prevenção de ruptura para pericárdio na presença de abscesso no lobo hepático esquerdo.

 

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