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Abscesso Pulmonar
Consultar Doenças - Infecções

Definição
Processo infeccioso localizado (em geral maior que 2 cm), necrótico e supurativo que ocorre dentro do parênquima pulmonar. 

Etiologia
A maioria dos abscessos é primária e resulta da necrose de um processo parenquimatoso preexistente, geralmente uma pneumonia aspirativa não tratada. Entre as causas de pneu monia necrotizante produzindo abscessos, infecções bacterianas e neoplasias são as mais comuns. Abscessos secundários são compli cações de êmbolos vasculares sépticos (por exemplo, decorrentes de endocardite de válvula direita) ou obstrução brônquica (aspiração de corpo estranho). Anaeróbios são os agentes causadores mais comuns, embora bacilos, fun gos, parasitas e micobactérias também possam provocar abscessos. 

 

Clínica
A apresentação clínica é insidiosa, com início dos sintomas ocorrendo em geral duas semanas antes da avaliação. O paciente apresenta tos se, expectoração purulenta pútrida, hemoptise (25% dos casos), calafrios, febre, sudorese no turna, perda de peso, dor torácica e anorexia.

 

Diagnóstico
Nos quadros clínicos suspeitos, a radiografia de tórax deve ser solicitada e mostra uma lesão ca vitária solitária, de tamanho variado, conten do ou não nível hidroaéreo (o nível aparecerá quando o abscesso se comunicar com o brôn quio), e mais freqüentemente localizada à di reita. Se houver presença de empiema (ocorre em 30% dos casos), a punção do líquido com cultura poderá demonstrar o agente etiológi co. A análise do escarro será útil se o agente etiológico não for uma bactéria anaeróbia. Métodos mais invasivos de diagnóstico (como a broncoscopia) são raramente usados, sendo reservados para casos de suspeita de neoplasia de pulmão, presença de corpo estranho ou evo lução atípica do abscesso.

 

Tratamento

  • Os antimicrobianos (clindamicina, eritro micina, claritromicina, imipenem) são a base da terapia dos abscessos pulmonares. O tratamento inicialmente deve ser endoveno so, passando para via oral quando o paciente estiver afebril (4-8 dias), e deve prosseguir até a resolução total da imagem ou restarem apenas imagens residuais estáveis.
  • O paciente deve ser encorajado a tossir e realizar manobras posturais que facilitem a drenagem da secreção pulmonar.
  • O tratamento cirúrgico é reservado para casos complicados como hemoptise maciça, fístula broncopleural e empiema. Também pode ser indicado se houver falha na tera pia ou durante evolução fulminante. Uma alternativa à drenagem cirúrgica é a drena gem percutânea. A drenagem é indicada nos abscessos maiores que 4 cm, que aumentam de tamanho durante a terapia ou quando o paciente mantém sepse após 5-7 dias do an tibiótico.

 

Antibióticos utilizados em abscessos pulmonares e sua dosagem habitual.

Classe

Medicação

Dose habitual

Lincosamidas

Clindamicina

300 mg 6/6 horas VO ou 600 mg 6/6 horas EV

Penicilinas + inibidores das b-lactamases

Amoxicilina/ácido clavulânico

500 mg/125 mg de 8/8 horas

 

Amoxicilina/ácido clavulânico BD

875 mg/125 mg 12/12 horas

 

Ampicilina/sulbactam

375-750 mg 12/12 horas

Macrolídeos

Claritromicina

500 mg 12/12 horas

 

Azitromicina

500 mg no 1º dia seguidos por 250 mg por 4 dias

Quinolonas

Moxifloxacina

400 mg 1 x/dia

 

Gatifloxacina

400 mg 1 x/dia

Carbapenêmicos

Imipenem

500 mg 6/6 horas

 

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