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Colecistite

Consultar Doenças - Infecção Vesícula Biliar

Definição
Inflamação da vesícula biliar, geralmente consecutiva à presença de cálculos na vesícula biliar (colecistolitíase). 

Etiologia
A colecistite aguda se inicia com a implantação de um cálculo no ducto cístico, que leva a aumento da pressão intraluminal da vesícula, obstrução venosa e linfática, edema, isquemia, ulceração da parede e infecção bacteriana secundária. A etiologia é multifatorial, mas a obstrução do ducto cístico, seja por cálculo impactado no infundíbulo ou no lúmen do próprio ducto, ou por edema da mucosa gerado por estes cálculos, é sem dúvida uma condição fundamental para a gênese da doença. A colecistite aguda alitiásica representa 2 a 15% de todos os casos de colecistite aguda, e ocorre em pacientes com queimaduras extensas, em pacientes com trauma ou no pós-operatório, ou em pacientes em nutrição parenteral.
Causa desconhecida (jejum prolongado, uso de drogas derivadas da morfina, hipotensão arterial).

 

Clínica
Dor abdominal de média a alta intensidade que se localiza no epigástrio e hipocôndrio direito e pode irradiar para o dorso. Outras localizações, como hipocôndrio esquerdo ou andar inferior do abdome, não são sedes da dor biliar. Dor é o sintoma mais evidente (do tipo cólica, que persiste por mais de 6 horas e após o tempo de ação do antiespasmódico). Irradiação para região escapular direita em 60% dos casos. Anorexia, náuseas, vômitos e febre são frequentes. O exame físico pode apresentar sinal de Murphy positivo, vesícula palpável (15%) e leve icterícia (colecistite aguda litiásica não precisa ter icterícia).
Complicações: Perfuração e fístula, íleo biliar, colecistite enfisematosa (mais comum em diabéticos), colangite.
Colangite: dor + febre + icterícia (tríade de Charcot), necessitando desobstrução em urgência + antibioterapia. O aparecimento de sintomas neurológicos no quadro clínico traduz maior gravidade da doença.
Pêntade de Reynolds: icterícia + febre + dor + confusão mental + hipotensão (choque séptico); a evolução da tríade de Charcot.
Colangite supurativa aguda: ocorre em pacien¬tes com icterícia, febre, calafrios e hipotensão arterial.

 

Diagnóstico
Anamnese e exame físico. A tríade dor abdominal, febre e leucocitose é sugestiva de cole-cistite. Laboratório: discreta leucocitose, aumento discreto das bilirrubinas, aumento discreto da fosfatase alcalina e TGO e aumento da amilase sérica. Exames de imagem: radiografia (presença de cálculos, vesícula em porcelana, presença de ar na árvore biliar ou na parede da vesícula), cintilografia das vias biliares, USG abdominal (presença de cálculos na vesícula biliar e espes¬samento da sua parede).
Obs.: colecistograma oral não pode ser realizado no paciente com icterícia obstrutiva.
Diagnóstico diferencial: apendicite aguda, pancreatite, úlcera péptica perfurada, litíase renal, abscesso hepático e diverticulite.

 

Tratamento
O tratamento inicial consiste em internação hospitalar, hidratação venosa, analgesia (mepe¬ridina), dieta zero e antibioticoterapia (cefalos-porina de 3ª geração ou ampicilina + amino¬glicosídeo + metronidazol). O tratamento de¬finitivo é cirúrgico através de colecistectomia, preferencialmente por via videolaparoscópica.
A colecistite é a causa mais freqüente de abdo¬me agudo em idosos. O tratamento cirúrgico da colecistite aguda não deve ultrapassar 8 dias após o início dos sintomas.
Colangite: aminoglicosídeos + metronidazol + ampicilina (espectro para gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios).
Observação: colangite aguda é contra-indicação absoluta de colecistectomia laparoscópica.

 

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