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Transtornos Somatoformes

Consultar Doenças - Hipocondria

Definição
Presença de sintomas físicos que sugerem alguma doença orgânica ou física, e que não são produzidos intencionalmente. Ocorrem associados à busca persistente de assistência médica. Apesar dos médicos nada encontrarem de anormal nos pacientes, as queixas persistem. E quando há alguma alteração orgânica, esta normalmente não justifica a queixa.

Etiologia
Embora não se conheça um fator etiológico preciso, nas características psicológicas associadas ao distúrbio de somatização encontram-se com freqüência o humor depressivo e, em segundo lugar, o transtorno histriônico da per­sonalidade.

 

Clínica
Transtorno de somatização é o transtorno somatoforme mais comum. A característica principal do transtorno é a elaboração de múltiplas queixas somáticas pelo paciente, queixas essas recorrentes e clinicamente significativas, resultando algum tratamento médico. No trans-torno de somatização normalmente há uma história de dor atípica e de difícil explicação médica que acomete predominantemente a cabeça, as costas, articulações, extremidades, tórax, ou uma história de comprometimento nas funções de órgãos, como por exemplo, em relação às menstruações, ao intercurso sexual, digestão ou funcionamento intestinal. As queixas levam o paciente a freqüentes exames médicos, radiográficos, tomográficos e mesmo a cirurgias exploratórias desnecessárias. Como as pessoas portadoras do transtorno são previa-mente histeriformes, em geral elas descrevem suas queixas em termos dramáticos, eloqüentes e exagerados ou, curiosamente, ao extremo contrário, completamente indiferentes à sugerida gravidade do problema. Freqüentemente, ocorre um longo histórico de hospitalizações e extensa trajetória médica, muitas vezes buscando tratamento com vários médicos ao mesmo tempo. O transtorno é mais comum em mulheres, e se inicia na idade adulta, após os 30 anos. Dependência e abuso de sedativos e analgésicos são freqüentes. A importância clínica é totalmente determinada pela sua enorme prevalência, portanto, determinada pela assiduidade com que os pacientes utilizam os sistemas de saúde. Os sintomas mais comuns no transtorno de somatização são:

1 – vômitos;
2 – palpitações;
3 – dor abdominal;
4 – dor torácica;
5 – náuseas;
6 – tonturas;
7 – flatulência;
8 – ardência nos órgãos genitais;
9 – diarréia;
10 – indiferença sexual;
11 – intolerância alimentar;
12 – dor durante o ato sexual;
13 – dor nas extremidades;
14 – impotência;
15 – dor lombar;
16 – dismenorréia;
17 – dor articular;
18 – outras queixas menstruais;
19 – dor miccional;
20 – vômitos durante a gravidez;
21 – dor inespecífica;
22 – falta de ar.

 

Diagnóstico
Para que haja um diagnóstico, deve haver pelo menos 2 anos de sintomas múltiplos, sem explicação clínica, recusa pelo paciente de que não há explicação física para os sintomas, e prejuízo no funcionamento social e familiar do paciente.

 

Tratamento
Um dos primeiros passos para o tratamento dos pacientes deve ser conscientizá-los sobre a importante participação dos fatores emocio­nais na sintomatologia de suas queixas, tentar uma mudança no significado cultural de suas doenças e incentivar maior honestidade pessoal sobre sua natureza emocional. O único fator capaz de atenuar as queixas é a capacidade da pessoa expressar melhor seus sentimentos ver­balmente. Quanto maior a capacidade do indivíduo de pontuar seu mal-estar através de dis­curso sobre suas emoções, como por exemplo, relatando sua angústia, menor será a chance de representar tudo isso por meio de palpitações, pontadas, dores, falta de ar etc.

Vale lembrar que entre os médicos muitas vezes ocorre a sensação de que o paciente somatizador tenta enganá-los; intimamente o médico se aborrece porque as queixas somatoformes não seguem as descrições clínicas clássicas, representando um desafio a mais para seus conhecimentos científicos e fisiopatológicos.

 

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