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Infecção Respiratória pelo Vírus Influenza

Consultar Doenças - Gripe

Definição
A influenza (gripe) é uma doença infecciosa aguda causada pelo Myxovirus influenzae dos tipos A, B ou C, sendo que apenas os tipos A e B são relevantes na prática clínica em seres humanos.

Etiologia
O vírus influenza liga-se a células epiteliais respiratórias, incluindo células epiteliais colunares e pneumócitos, rompendo estas células. Secundariamente, ocorre extravasamento de líquido, inflamação da submucosa e colapso alveolar secundário à perda do surfactante.

 Clínica
A síndrome típica começa repentinamente com febre, tosse seca, mialgia, cefaléia e mal-estar. Congestão nasal e odinofagia podem ocorrer. Queixas gastrintestinais podem ocorrer em crianças, e idosos podem apresentar apenas febre de causa inexplicável. A doença geralmente termina em 3 a 7 dias, porém a tosse e a fadiga podem persistir. A pneumonia primária por influenza é incomum e quando ocorre cursa com dispnéia importante e, em alguns casos, dor torácica. A expectoração pode aumentar e pode ocorrer hemoptise. Pneumonias secundá­rias também podem se associar à infecção por influenza e apresentam sintomas semelhantes aos da pneumonia por influenza.

 Diagnóstico
A suspeita diagnóstica se faz pela clínica e geralmente nos casos não complicados não há necessidade de testes complementares. Quando os pacientes apresentam piora da dispnéia e sinais de pneumonia, uma radiografia de tórax é necessária com o objetivo de identificar áreas de preenchimento alveolar características da pneumonia. Testes para detecção rápida de antígeno são disponíveis para o vírus influenza A e B, com resultado em 30 minutos. A sensibilidade e especificidade são menores do que a da cultura. Swabs nasais, de orofaringe e lavado broncoalveolar são amostras aceitáveis. A cultura do vírus é mais sensível e específica, porém com resultado em 48 horas. Uma eleva­ção de quatro vezes nos títulos de anticorpos contra o influenza após 2-3 semanas do início do quadro clínico faz diagnóstico, porém este tempo é fator limitante para o uso corriqueiro desses testes imunológicos.

Tratamento

  •  Antitérmicos e analgésicos controlam a febre e a dor, mas não têm ação contra o vírus da gripe. Medicamentos com ácido acetil-salicílico não são permitidos em crianças com gripe, pela possibilidade de síndrome de Reye.
  • Todos os pacientes devem procurar manter-se hidratados e evitar exposição a irritantes inalatórios (ar frio e seco, fumaça, perfumes etc). Embora a vacinação seja a primeira escolha para prevenir a infecção pelo vírus influenza, os antivirais específicos são medi­camentos de grande relevância no controle da influenza. Quatro agentes antivirais con­tra o vírus influenza estão disponíveis. To­dos reduzem o tempo de doença em cerca de um dia quando iniciados nas primeiras 36-48 horas de sintomas. Eles não parecem prevenir complicações, mas a maioria dos especialistas advoga tratar pacientes de alto risco para infecções virais. Eles não foram estudados na gravidez, portanto, não são recomendados neste período. A dose de todos, com exceção do zanamivir deve ser ajustada para pacientes com insuficiência renal.
  • A amantadina e a rimantadina são antivirais de primeira geração que inibem a replicação viral ao bloquear o canal iônico M2. Seu uso na prática clínica é limitado pelo fato de atuarem apenas sobre o vírus influenza A, induzirem rapidamente resistência viral e provocarem reações adversas em sistema nervoso central (confusão, tremores e coma, especialmente em pacientes com insuficiên­cia renal) e trato gastrintestinal (perda do apetite e náuseas).
  • O ozeltamivir e o zanamivir são antivirais de segunda geração que impedem a liberação de partículas virais ao bloquearem a neuroaminidase. Têm eficácia tanto sobre o vírus influenza A como B. No Brasil, o oseltamivir está liberado para pacientes com mais de 18 anos com sintomas gripais em menos de 36 horas. Como efeito adverso o ozeltamivir pode provocar náuseas e vômitos.

 Dose habitual dos fármacos anti-influenza.

Classe  Medicação  Dose
Bloqueador do canal iônico M2  Amantadina  100 mg 12/12 horas até 24-48 horas após o final dos sintomas
   Rimantadina  100 mg 12/12 horas por 5-7 dias
Bloqueador da neuroaminidase  Oseltamivir  75 mg 1 x/dia por 3-7 dias
   Zanamivir  10 mg 2 x/dia por 3-7 dias

 Gripe A

 Etiologia
A gripe A (ou gripe suína, ou gripe H1N1) é uma doença causada por uma das mutações (geralmente H1N1) do vírus influenza A. É uma doença respiratória aguda altamente contagiosa, com morbidade alta, contudo, com mortalidade baixa (1-4% segundo dados da OMS) até agora. Nos porcos, a doença é considerada endêmica nos Estados Unidos, e surtos ocorreram na America do Norte e do Sul, Europa, África e partes do leste da Ásia.
No início a transmissão foi de porcos doentes para humanos. Em princípio, não tem risco em comer carne suína.
Transmissão: gotículas expelidas por tosse ou espirros, contato com mãos e superfícies contaminadas.
 
Clínica
Os sintomas desta gripe não são diferentes da gripe comum, com febre > 38oC, tosse, dor de garganta, dores musculares, náuseas, diarréia e vômitos.
Ao contrário da gripe comum, que é mais virulenta em pessoas idosas, a gripe A é pode ser letal em grupos mais jovens e crianças. Como na gripe comum o risco é maior em pessoas com comorbidades (diabéticos, cardiopatas, imunodeprimidos).
 
Diagnóstico
O diagnóstico é confirmado se existe um contato comprovado com pessoas contaminadas pelo mesmo vírus ou por exame genético laboratorial.
 
Tratamento
Os tratamentos antivirais (oseltamivir e zanamivir) são eficazes, mas devem ser administrados em até 48h depois do aparecimento dos primeiros sintomas da doença. A medicação preventiva é inútil.
A prevenção consiste em evitar contato com pessoas com síndrome gripal, lavar as mãos com frequência.
Não existe ainda vacina contra a gripe A
 
Se houver uma pessoa doente na mesma casa
·        Deixar um aposento separado para o doente. Se isso não for possível, este deve manter-se a uma distância de 1 metro pelo menos dos outros;
·        Deve-se cobrir boca e nariz ao entrar em contato com o doente. Máscaras podem ser usadas com esta finalidade e depois dispensadas;
·        Lavagem de mãos após contato com o doente;
·        Não compartilhar utensílios como copos, toalhas, alimentos ou objeto de uso pessoal;
·        Deixar o local onde o doente está bem arejado. Deixar portas e janelas abertas para circular o ar;
·        Manter os utensílios domésticos limpos;
·        O doente deverá também cobrir a boca e nariz com lenço ao tossir e espirrar. A lavagem de mãos deve ser frequente e, principalmente, após tossir ou espirrar será importante para prevenir o contágio de outras pessoas.  

 

 

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