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Febre Maculosa
Consultar Doenças - Febre do Carrapato

Definição
Doença infecciosa aguda causada pela Rickettsia rickettsii.

Etiologia
A Rickettsia rickettsii é uma bactéria gram-negativa intracelular transmitida pelo vetor carrapato Amblyomma cajennense, também denominado “carrapato estrela”, que possui como reservatórios animais silvestres, roedores, cavalos e bois, entre outros. A transmissão ocorre geralmente pela picada de formas larvárias infectadas do carrapato, porém também pode ocorrer através de lesões na pele, ocasio­nadas pelo esmagamento do carrapato ao tentar retirá-lo.

No Brasil, a doença foi descrita pela primeira vez no Estado de São Paulo em 1929. Atualmente, além do Estado de São Paulo, há relatos também nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Santa Catarina, sendo São Paulo responsável por mais de 40% dos casos notificados no país. Desde 2001, a doença é de notificação compulsória.

 

Clínica
Período de incubação geralmente de 7 dias, podendo variar de 2 a 14 dias.

A doença possui grande variação clínica, po­dendo ser assintomática ou ter apresentação subclínica. Classicamente, manifesta-se abruptamente com febre moderada a alta, com dura­ção de 2 a 3 dias, mialgia, cefaléia intensa, dor abdominal difusa, náusea, vômitos e diarréia, seguida de toxemia, hiperemia e congestão conjuntival. Entre o 3o e o 5o dia da doença, aparece exantema, caracterizada pelas máculas eritematosas de 1 a 5 mm de diâmetro inicial­mente no punho e tornozelo que progridem para tronco, face, pescoço, palma e plantas. O exantema evolui para maculopapular, podendo progredir para petéquias, lesões hemorrágicas, necrose da pele e gangrena. Em 9 a 16% dos casos, o exantema pode estar ausente. Ao fi­nal da segunda semana, junto com a diminuição da temperatura, ocorre a descamação do exantema. Se não tratada, a doença progride depois da primeira semana para manifestações de SNC, pulmonar e renal.

Os principais sintomas do SNC são confusão mental e letargia, convulsão e coma, sinais de mau prognóstico. Podem ocorrer déficits fo­cais, surdez transitória, fotofobia, meningite ou meningoencefalite. Comprometimentos renais e pulmonares também indicam pior prognóstico. Ocorre uma perda progressiva da função renal, geralmente pré-renal, e a proteinúria pode estar presente. O comprometimento pulmonar ocorre em 17% dos casos, caracterizado por pneumonia intersticial, infiltrado alveolar e derrame pleural. A principal causa de óbito é a SARA.

O comprometimento abdominal inclui lesão hepatocelular focal, sem insuficiência hepática, lesões pancreáticas, esplênicas e sangramento do trato digestivo.

No quadro clássico, na ausência de tratamento precoce, o óbito geralmente ocorre entre o 8o e o 15o dia da doença, porém em formas fulmi­nantes o óbito pode ocorrer entre o 1o e o 5o dia da doença.

 

Diagnóstico

  • Bacteriológico: ­tir de BHI).
  • Sorológico:
  • PCR: identificação
  • Exames: Hemograma Anemia ­sentes. normal, ­nuída.

 

Tratamento

  • Tetraciclina ­dos de até 2 dias indicada
  • Doxiciclina mínimo febre.

 

Diagnóstico

  • Bacteriológico: isolamento da bactéria a par-tir de sangue e tecidos (cultura em meio BHI).
  • Sorológico: detecção de anticorpos pela IFI.
  • PCR: identificação do DNA da Rickettsia.
  • Exames laboratoriais inespecíficos:

• Hemograma com alterações inespecíficas. Anemia e plaquetopenia podem estar presentes. A contagem de leucócitos pode estar normal, aumentada ou discretamente diminuída. Geralmente ocorre desvio à esquerda.
• Bioquímicos: podem ser encontrados au­mento de CPK, DHL, bilirrubina direta e transaminases. A hiponatremia pode estar presente. Na presença de manifestações neurológicas, ocorre discreta pleocitose no liquor (geralmente menor que 100 leucócitos), predomínio linfomonocitário ou poli­morfonuclear, com proteinorraquia aumentada e glicorraquia normal.

 

Tratamento

  • Tetraciclina 25 a 50 mg/kg/dia VO divididos de 6/6 horas por no mínimo 7 dias ou até 2 dias após término da febre. Contra-indicada em crianças e gestantes.
  • Doxiciclina 100 mg VO 12/12 horas por no mínimo 7 dias ou até 2 dias após término da febre.
  • Cloranfenicol 50 a 75 mg/kg/dia EV divididos de 6/6 horas, indicado para casos graves por no mínimo 7 dias ou até 2 dias após término da febre.

 

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