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Estrongiloidíase

Consultar Doenças - Estrongiloidose

Definição
Infestação causada pelo nematelminto Strongyloides stercoralis.

Etiologia
Infestação através da penetração das larvas infestantes pela pele do homem, ganhando a via linfática ou a corrente sangüínea. As larvas atingem câmaras cardíacas direitas e circulação pulmonar, atravessam alvéolos, alcançando brônquios e traquéia, sendo deglutidas e desenvolvendo-se em verme adulto no duodeno. Os estágios larvais são normalmente eliminados nas fezes, mas podem também penetrar a mucosa do cólon ou da região perianal, cau­sando auto-infestação. Endêmica nas regiões equatoriais e tropicais.

 

Clínica
Fase cutânea: a penetração larval pode causar queimação e formigamento, seguidos de reação eritemato-pruriginosa. Reinfestações são menos sintomáticas.

Fase pulmonar ou faríngea: tosse seca, irritação traqueal ou faríngea, menos freqüentemente síndrome de Löffler – manifestações pulmonares (tosse seca, dispnéia, infiltrados pulmonares móveis, fugazes), alérgicas (rash cutâneo, rinite, conjuntivite, broncoespasmo) e hipereosinofilia.

Fase de estado: no hospedeiro imunocompetente é geralmente assintomática (até 85%). Eventualmente pirose gástrica, náuseas, vômitos, alterações do trânsito intestinal (diarréia/obstipação). Prurido anal, urticária, raramente pode-se observar a migração larval na pele pró­xima à região anal.

Estrongiloidíase disseminada: doença grave disseminada em pacientes imunodeprimidos principalmente pelo uso de corticosteróides. Costuma acometer pulmões (pneumonia grave por bacilos gram-negativos veiculados pe­las larvas, SARA, abscesso pulmonar) e TGI (diarréia profusa, dores abdominais, vômitos, icterícia colestática, ulceração e/ou perfuração intestinal), sendo comum a evolução para sepse grave, choque séptico, CIVD e insuficiência de múltiplos órgãos. Letalidade de 41 a 86%.

 

Diagnóstico
Fase de invasão: eosinofilia, exame protoparasitológico de fezes negativo até 1 mês depois da contaminação.

Fase de estado: identificação das larvas (ovos, se diarréia) ao exame protoparasitológico de fezes (PPF), aspiração duodenal com pesquisa de ovos, endoscopia digestiva alta com biópsia, hemograma com anemia ferropriva e eosinofilia.

Estrongiloidíase disseminada: as larvas podem também ser identificadas em escarro, aspirado traqueal, lavado broncoalveolar, biópsia trans­brônquica. Excepcionalmente em outros sítios (urina, liquor).

 

Tratamento

Infecção intestinal

  • Ivermectina 200 mcg/kg VO por 2 dias.
  • Albendazol 400 mg VO 12/12 horas por 2 dias.
  • Thiabendazol 25 mg/kg/dia (máx. 3 g/dia) VO por 3 dias.
  • Cambendazol 5 mg/kg VO em dose única.

Estrongiloidíase disseminada

  • Albendazol 400 mg VO 12/12 horas por 7-10 dias.
  • Thiabendazol 25 mg/kg/dia (máx. 3 g/dia) VO por 7-10 dias.

 

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