Lúpus Eritematoso Sistêmico |
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Definição Etiologia Existe uma maior suscetibilidade aos grupos étnicos do HLA (antígeno de histocompatibilidade) do grupo I (B8) e II (DR3, DR2, DQw1 e DQw2), localizados no braço curto do cromossomo 6. A participação hormonal é sugerida pela maior incidência em mulheres. A participação desses fatores e outros ainda não conhecidos levam a uma produção anormal de auto-anticorpos, devido à exacerbação das células B e inibição da resposta T supressora, levando à formação de imunocomplexos que interagem com o sistema complemento, levando a um processo inflamatório sistêmico.
Clínica O quadro clínico do lúpus é exuberante, não apresenta um padrão clássico. Os critérios para sua classificação auxiliam o diagnóstico.Critérios do American College of Rheumatology para classificação do LES
A febre contínua ou intermitente é um sintoma comum nos períodos de atividade de doença. Também é freqüente ocorrer perda de peso e fadiga. Os sintomas gerais na maioria das vezes respondem ao tratamento das outras manifestações clínicas. A lesão mais comum é o eritema facial em asa de borboleta, mas outros tipos de lesão de pele podem ocorrer. Um terço dos pacientes referem fotossensibilidade. As úlceras orais e a vasculite cutânea ocorrem em aproximadamente 20% dos pacientes e são sinais de atividade de doença. A alopecia difusa ocorre na maioria dos pacientes. Artralgia ou artrite são freqüentes e acometem pequenas e grandes articulações, com padrão simétrico e geralmente não acometem a coluna. As deformidades são pouco freqüentes e as erosões no exame radiográfico são muito raras. As manifestações cardiovasculares ocorrem em 50% dos pacientes. As mais freqüentes são a pericardite ou derrame pericárdico. A miocardite é mais rara, e usualmente se apresenta como arritmia. Endocardite abacteriana, ou endocardite de Libman-Sacks ocorre em 50% dos achados de necropsia e clinicamente pode confundir, nos casos de pacientes febris, com casos de endocardite bacteriana. A aterosclerose precoce em lúpicos é a principal causa de infarto agudo do miocárdio, e é considerada como uma das causas de mortalidade da doença. A pleurite é o sintoma pulmonar mais comum: o derrame pode ocorrer em até 50% dos pacientes e a dor pleural em 70%. A pneumonite lúpica é mais rara, e o diagnóstico requer uma rigorosa exclusão de outras causas. A anemia ocorre em 50% dos pacientes. A mais freqüente é do tipo “doença crônica”, e aproximadamente 10% é hemolítica. A leucopenia e a linfopenia são freqüentes durante as fases de atividade de doença. A trombocitopenia leve ocorre em 1/3 dos pacientes. Evidência clínica de lesão renal ocorre em pelo menos 50 a 80% dos pacientes. É uma das maiores preocupações no diagnóstico desta patologia devido à elevada morbidade e mortalidade. As alterações da nefrite lúpica podem ser observadas em exames laboratoriais e pela histologia renal, e os sintomas podem apenas ocorrer em casos avançados de síndrome nefrótica ou insuficiência renal. As lesões podem ser classificadas histologicamente por: normal (classe I), mesangial (classe II), proliferativa segmentar e focal (classe III), proliferativa difusa (classe IV), membranosa (classe V) e esclerose glomerular (classe IV). Além de definir a classe histológica, a biópsia renal pode demonstrar o índice de atividade e cronicidade desse envolvimento, modificando o tratamento a ser instituído. As manifestações neurológicas mais freqüentes são: convulsões, psicose, AVC, cefaléia, meningite asséptica, alterações do humor e neuropatia periférica.
Diagnóstico
Tratamento Quadros cutâneos e articulares: cloroquina (250 mg/dia) ou hidroxicloroquina (400 mg/dia) são as drogas de escolha, além de promover uma redução na corticoterapia e um controle da dislipidemia do lúpus. A azatioprina pode ser utilizada nos casos cutâneos graves, e o metotrexato também pode ser utilizado nas formas articulares mais intensas. A ciclofosfamida é a droga de eleição para os quadros renais graves, sempre associada a corticosteróides em altas doses. Nos casos renais leves podemos utilizar a azatioprina e o micofenolato mofetil.
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