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Miocardiopatias
Consultar Doenças - Doenças do Músculo do Coração

Definição
Doenças primárias do músculo cardíaco, não sendo causadas por hipertensão ou isquemia.

Etiologia
Podem ser de três tipos: miocardiopatia dila-tada, miocardiopatia restritiva, miocardiopatia hipertrófica. Miocardiopatia dilatada É um comprometimento da função sistóli-ca (VE ou VD), ocasionando cardiomegalia, podendo manifestar sintomas de insuficiência cardíaca congestiva. A maioria dos casos é idiopático. Pode ser causada por agentes tóxicos (álcool, cocaína, cobalto, quimioterapia), agentes infecciosos (viral), doença de depósito (hemocromatose), cardiopatia periparto, distúrbios nutricionais (pelagra, kwashiorkor) e endocrinos (acromegalia, disfunção da tireóide).

 

Clínica
Miocardiopatia hipertrófica

Hipertrofia do ventrículo esquerdo com volume e contratilidade do VE normais. Não é causada por hipertensão ou doença isquêmica do coração. Pode ter como causa herança familiar (genética), ataxia de Friedreich e atividade física intensa.

Miocardiopatia restritiva

Na miocardiopatia restritiva as paredes ventriculares estão excessivamente rígidas, dificultando o enchimento ventricular. Esse processo ocasiona uma disfunção diastólica. Pode ser causada por amiloidose, esclerodermia, hemocromatose, sarcoidose, síndrome carcinóide, dentre outras.

Miocardiopatia dilatada

Redução global da função do VE, com sintomas de insuficiência cardíaca e insuficiência mitral funcional.

Miocardiopatia hipertrófica

As principais manifestações são dispnéia, síncope, angina, arritmia, podendo ser causa de morte súbita.

Miocardiopatia restritiva

Dispnéia, fadiga, edema, ascite (quadro de pericardite constritiva).

Distensão jugular, sopro sistólico apical quando envolvimento valvar.

 

Diagnóstico
ECG, ecocardiografia, TC, cateterismo cardíaco, biópsia do miocárdio. O principal diagnóstico diferencial é a pericardite constritiva.

 

Tratamento
Miocardiopatia dilatada O tratamento sintomático é semelhante ao da insuficiência cardíaca (controle do peso, dieta sem sal, IECA, diuréticos, vasodilatadores, antiaritmicos, anticoagulantes, β-bloqueadores). Nos casos de miocardiopatia por abuso de álcool, a doença pode não progredir se ainda não há insuficiência cardíaca e o paciente interromper o consumo de álcool. O óbito geralmente decorre de arritmia. Em estágio avançado, é uma indicação de transplante cardíaco ou de ventriculectomia parcial

Miocardiopatia hipertrófica

Na abordagem terapêutica deve ser evitado o uso dos diuréticos. As atividades físicas devem ser restritas. O emprego de bloqueadores é útil no controle dos episódios de síncope e angina. A amiodarona é eficaz no combate às arritmias, podendo diminuir o risco de morte súbita, sendo que em alguns casos é necessária a implantação de um marcapasso definitivo. O uso de bloqueadores do canal de cálcio (vera­pamil e diltiazam) diminui a rigidez ventricu­lar e melhora a tolerância ao exercício.Nas formas obstrutivas pode ser indicada a cirurgia de miotomia/miectomia ou ainda a indução de um infarto septal com injeção de etanol na artéria septal (alcoolização septal).

Miocardiopatia restritiva

Tratamento etiológico se possível (hemocromatose), cirurgia, transplante.

 

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