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Episódio Depressivo

Consultar Doenças - Depressão

Definição
Presença de humor deprimido, sensação de tristeza, infelicidade, miserabilidade, comiseração, ausência de prazer ou interesse nas atividades habituais, com prejuízo no desempenho social / ocupacional do paciente. A maioria dos seres humanos pode apresentar estes sintomas por breves períodos sem que seja caracterizada uma doença, ao passo que a verdadeira depressão é quase permanente.

Etiologia
Os fatores causais podem ser divididos em biológicos, genéticos e psicossociais. Existe ainda a probabilidade de os três campos interagirem entre si, e da depressão ocorrer secundariamente a outras patologias psiquiátricas. A depressão é mais comum entre as mulheres, principalmente na adolescência. O homem parece procurar ajuda mais cedo do que as mulheres.Freqüentemente se evidencia um componente familiar, seja por hereditariedade ou educação.Apesar de existir uma predisposição genética, uma vida estressante e infeliz é o que dá origem ao episódio depressivo.

Medicamentos que podem precipitar transtornos depressivos: 

endocrinologia Contraceptivos orais, corticóides, ACTH
infectiologia Isoniazida, metronidazol, ácido nalidixico
reumatologia Antiinflamatórios não esteróides
cardiologia Clonidina, digitálicos, guanetidina, hidralazina, metildopa, prazosina, procainamida, propanolol, reserpina, nifedipina
neurologia Amantadina, barbituratos, benzodiazepinicos, carbamazepina, L-dopa, valproato, antipsicoticos
oncologia Vinblastina, vincristina, tamoxifeno, interferon
outros Cimetidina, ranitidina, metoclopramida, álcool, cocaína, cannabis, dissulfiram

 Patologias que podem desencadear o quadro:

  • neurologia: doença cerebrovascular, tumo-res, epilepsia, doença de Parkinson, doença de Alzheimer, esclerose múltipla, doença de Huntington, hemorragia subaracnóide;
  • endocrinologia: hipo ou hipertireoidismo, Cushing, doença de Addison, diabetes, hi-perparatireoidismo, hipopituitarismo;
  • doenças infecciosas: Aids, encefalite, sífilis, hepatite;
  • oncologia: SNC, pulmão, pâncreas;
  • outras patologias: anemia, dor crônica, insuficiência renal ou hepática, lúpus, intoxicação por metal pesado, alcoolismo. O quadro também pode ser induzido por cau­sas externas: desapontamentos em casa, traba­lho ou escola; em adolescentes pode ocorrer depressão devida a término de namoros, más notas ou separação dos pais; morte de parentes ou amigos; dores prolongadas e consciência de ter uma grave doença; estresse crônico, abuso infantil; isolamento social (comum na velhice); deficiências nutricionais; distúrbios do sono.

 

Clínica
Quadro de sintomas intensos, onde necessa­riamente devem estar presentes anedonia e/ou humor polarizado para depressão, podendo ainda ocorrer:

  • hiperfagia ou perda de apetite;
  • insônia ou hipersonia;
  • agitação ou lentificação psicomotora;
  • fadiga ou perda de energia;
  • sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada;
  • capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se;
  • pensamentos de morte recorrentes/ideação suicida/tentativa de suicídio.

Observação:

  • a depressão é subdiagnosticada no consultório;
  • 70% dos indivíduos que cometem suicídio passam em consulta médica no mês que antecede o ato;
  • não desprezar os sintomas físicos, como fraqueza e dores pelo corpo, que também podem estar presentes, às vezes com maior intensidade do que os sintomas de tristeza e anedonia.

O número e a gravidade dos sintomas permi­tem determinar três graus de um episódio de­pressivo: leve, moderado e grave.

Episódio depressivo leve (F32.0)
Geralmente estão presentes ao menos dois ou três dos sintomas citados anteriormente. O paciente sofre com a presença destes sintomas, mas provavelmente será capaz de desempenhar a maior parte das suas atividades sociais e ocupacionais.

Episódio depressivo moderado (F32.1)
Geralmente estão presentes quatro ou mais dos sintomas citados e o paciente aparentemente tem muita dificuldade para continuar a desem­penhar as atividades de rotina.

Episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos (F32.2)
Episódio depressivo onde vários dos sintomas estão presentes, tipicamente a perda da auto-estima e idéias de desvalia ou culpa. As idéias e os atos suicidas são comuns e observa-se em geral uma série de sintomas físicos.

Episódio depressivo grave com sintomas psicóticos (F32.3)
Episódio depressivo grave, porém acompanha­do de alucinações, idéias delirantes, de uma lentidão psicomotora ou de estupor de uma gravidade tal que todas as atividades sociais e ocupacionais tornam-se impossíveis. Pode existir o risco de morte por suicídio, desidra­tação ou desnutrição.

 

Diagnóstico
Fundamentalmente clínico, ocorrendo anedonia e/ou humor polarizado para depressão e alguns dos critérios listados anteriormente, por no mínimo 2 meses.

 

Tratamento
Antidepressivos aliados a psicoterapia.
Antidepressivos

1. Tricíclicos: inibem recaptação de noradrena­lina e serotonina.
Clomipramina: 150-300 mg/dia.
Imipramina: 150-300 mg/dia.
Nortriptilina: 50-150 mg/dia.
Amitriptilina: 150-300 mg/dia.
Observação: a nortriptilina é mais indicada para idosos por ter menor efeito anticolinérgi­co. Os tricíclicos são contra-indicados no pri­meiro trimestre da gestação. Solicitar sempre ECG e hemograma, pelo risco de leucopenia e plaquetopenia. Introduzir medicação em dose baixa e aumentar progressivamente, até a dose terapêutica. 

Contra-indicações: bloqueio de ramo ventricular, glaucoma de ângulo fechado, prostatismo, pós-infarto agudo do miocárdio.

Efeitos colaterais: boca seca, obstipação, retenção urinária, taquicardia, hipotensão postural, prolongamento do intervalo QT, diminuição do limiar convulsivo, sedação, aumento do apetite, ganho de peso, disfunção sexual.

2. Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS): inibem a recaptação da seroto-nina sem efeitos colaterais cardiovasculares ou ganho de peso. Fluoxetina: 20-80 mg/dia. Paroxetina: 20-40 mg/dia. Sertralina: 50-200 mg/dia. Duloxetina: 60 mg/dia.

Observação: boa escolha para pacientes com comorbidades clínicas, principalmente as cardiovasculares.
Contra-indicação: insuficiência hepática (metabolismo hepático – citocromo p450). Recomenda-se o uso pela manhã (insônia). Efeitos colaterais: diarréia, náuseas, dispepsia, insônia, cefaléia, diminuição da libido, altera-ção na ejaculação.

3. Inibidores da monoaminoxidase (IMAO). Moclobemida: 300-600 mg/dia. Tranylcipromina: 50 mg/dia. O paciente deve fazer restrição a alimentos ricos em aminoácidos de origem animal, quei­jos, enlatados, feijão e vinhos.

Efeitos colaterais: hipotensão postural, sudorese, tremores, taquicardia, insônia, disfunções sexuais.

Não utilizar junto com ISRS, pois podem desencadear síndrome serotonérgica (hipertermia, mioclonia, hipertensão, hiperatividade, tremor e sedação).Nunca usar IMAO em primeiro tratamento, por causa dos efeitos adversos e interações. Reservar a casos especiais, após outros tratamentos.

Freqüentemente a depressão se faz acompanhar por outro sintoma: a ansiedade. Devemos, nes­tes casos, combater também a ansiedade para impedir o feedback entre as duas condições mórbidas.

Duração do tratamento: em um primeiro episódio depressivo, recomenda-se o tratamento por 6 a 8 meses de manutenção após melhora completa do quadro de humor. Deve-se diminuir gradativamente o antidepressivo até retirada, observando se ocorre recaída durante tal diminuição. Em pacientes com depressão recorrente, o antidepressivo deve ser mantido por mais tempo. Em pacientes com mais de dois episódios prévios, pode-se optar por uso contínuo da medicação.

 

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