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Oncocercose / Cegueira dos Rios

Consultar Doenças - Cegueira dos Rios

Diagnóstico
Infestação causada pelo nematelminto Oncocerca volvulus.

Etiologia
Transmitida pela picada de mosquito Simulium spp (borrachudo), possibilitando a penetração das larvas infectantes pela pele. Essas larvas se desenvolvem em vermes adultos na derme, no tecido celular subcutâneo e em vasos linfáticos. As fêmeas liberam microfilárias na derme e nos canais linfáticos pré-capilares, que se disseminam pelo organismo causando inflamação e doença em pele, gânglios linfáticos e olhos. As manifestações clínicas são dependentes da infecção dos vermes de Oncocerca volvulus pela endobactéria Wolbachia.

Encontrada principalmente na África (99% dos casos). No Brasil, acomete áreas indígenas nos estados do Amazonas e Roraima, havendo também casos descritos em Goiás. Segunda maior causa infecciosa de cegueira.

 

Clínica
Após período de incubação de meses a anos, manifesta-se pelos acometimentos:

  • Cutâneo: inicialmente edema eritematoso, papuloso, pruriginoso. As lesões papulares são escarificadas e podem apresentar infecção bacteriana secundária com lesões pustulosas. Evolui com prurido crônico, prurigo e liquenificação. Tardiamente atrofia e despigmentação. Podem haver nódulos ou cistos subcutâneos de 0,5 a 2 cm, com os vermes adultos.
  • Ganglionar: adenomegalia regional, próxi­ma a regiões de dermatite, principalmente femoral.
  • Ocular: acomete tanto segmento anterior como posterior com lesões graves que po­dem causar cegueira – uveíte anterior microfilariana, conjuntivite, ceratite puntiforme, ceratite esclerosante, irite, iridociclite, corioretinite, papilite, atrofia do nervo óptico. Mais comum nos casos africanos.

 

Diagnóstico
Exame oftalmológico com fundo de olho; bióp sia excisional dos nódulos subcutâneos com a identificação dos vermes adultos ou punção com agulha fina e detecção de microfilárias; biópsia cutânea para detecção microfilárias dérmicas; detecção microfilárias no sangue, urina e linfa, sendo as duas primeiras principalmente após o uso de dietilcarbamazepina ou ivermectina; sorologia (ELISA, imunofuorescência); antigenemia; hipereosinofilia; aumento de IgE.

 

Tratamento

  • Ivermectina 150 mcg/kg em dose única, repetir a cada 6 meses por 10-15 anos, para suprimir microfilárias dérmicas e oculares. Não afeta os vermes adultos.
  • Recomenda-se associar doxiciclina 100-200 mg/dia para eliminar a bactéria Wolbachia, esterilizando as fêmeas adultas.

 

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