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Enxaqueca

Consultar Doenças - Cefaléia

Definição
Cefaléia primária unilateral e pulsátil.

Etiologia
Hiperexcitabilidade cerebral com vários me­canismos genéticos e bioquímicos envolvidos, mas sua fisiopatologia ainda não está completamente esclarecida. Predominância em mu­lheres, entre 30 e 50 anos, com familiar direto acometido em 70% dos casos.

 

Clínica
Cinco fases típicas:

  • Pródromos ou sintomas premonitórios: horas ou até um dia antes da cefaléia com irritação, dificuldade de memorização e atenção, desânimo, pesadelos.
  • Aura: distúrbio visual típico aparecendo 60 minutos antes da cefaléia, com pontos luminosos, perda ou distorção de uma parte da visão. Aparece em 20% das crises. A aura pode estar acompanhada de vertigem, disartria, zumbido, ou estar presente sem apari­ção de cefaléia consecutiva.
  • Cefaléia: dor de cabeça que dura de 4 a 72 horas, unilateral, pulsátil, de moderada a forte intensidade, piora com atividades. A dor muda de lado de uma crise para outra e predomina nas regiões anteriores (órbita e região frontotemporal).
  • Sintomas associados: náuseas e/ou vômitos, foto e/ou fonofobia.
  • Pósdromo: exaustão com sensação de cansaço, fraqueza, depressão, dificuldades de concentração durante horas ou dias.

Fatores precipitantes: estresse, períodos do ciclo hormonal. Alimentos, bebidas alcoólicas, luz, calor, viagens (mudança de fuso horário e mudanças climáticas), odores, fome.Complicações (raras): estado enxaquecoso, infarto enxaquecoso, crise epiléptica.

 

Diagnóstico
Queixa extremamente comum tanto em serviços de urgências como em atendimento ambulatorial. É importante saber distingui-la de outras causas potencialmente graves de dor de cabeça.Sinais de alarme na avaliação das cefaléias:

  • cefaléia de início após os 50 anos;
  • início muito súbito;
  • aumento na freqüência ou intensidade;
  • cefaléia de início recente para paciente com risco de HIV ou câncer;
  • sinais sistêmicos (febre, rigidez de nuca ou rash cutâneo);
  • sinais ou sintomas neurológicos focais (ex.: hemiparesia, crise convulsiva);
  • edema de papila;
  • história de trauma.

O diagnóstico é baseado na história clínica de­talhada. Exame de imagem (tomografia computadorizada de crânio) e/ou punção liquórica são realizados na presença de algum dos sinais de alarme acima. 

 

Tratamento
Tratamento da crise:

  • Analgésicos e AINEs: Ácido acetilsalicílico: 1.000 mg VO. Naproxeno: 550-1.100 mg. Dipirona: 1.000 mg VO ou EV com soro fisio-lógico ou glicosado. Diclofenaco: 50-100 mg VO ou 75 mg IM. Paracetamol: 1.000 mg.
  • Antieméticos: Metoclopramida: 10 mg VO ou IM. Domperidona: 20-30 mg VO.
  • Triptanos: Sumatriptana: 25/50/100 mg VO ou 6 mg SC. Repetir em 2 horas se necessário. Zolmitriptana: 2,5 mg VO. Repetir em 2 horas se necessário. Naratriptana: 2,5 mg VO. Rizatriptana: 10 mg VO.

Tratamento profilático

  • β-bloqueadores: 

Propranolol: 40-120 mg/dia.Nadolol: 40-120 mg/dia.
Metoprolol: 100-200 mg/dia.

  • Bloqueadores do canal de cálcio:

Flunarizina: 5-10 mg/dia (à noite).
Verapamil: 80-320 mg/dia.

  • Anti-serotonínicos:

Metisergida: 1-6 mg/dia.
Pizotifeno: 0,5-1,5 ng/dia.

  • Antidepressivos:

Amitriptilina: 10-75 mg/dia.Nortriptilina: 10-75 mg/dia.
Fluoxetina: 20-40 mg/dia.Venlafaxina: 75 mg/dia.

  • Antiepilépticos:

Valproato de sódio: 500-1.500 mg/dia.
Topiramato: 50-150 mg/dia.

 

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