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Leishmaniose Visceral Americana

Consultar Doenças - Calazar

Definição
Doença parasitária causada por Leishmania chagasi no Brasil. Conhecida também como calazar.

Etiologia
Doença causada por protozoário Leishmania chagasi nas Américas, L. donivanii na Ásia e L. infantum na Ásia, Europa e África. A trans­missão ocorre pela picada do inseto flebótomo, sendo a espécie Lutzomyia longipalpis a princi­pal encontrada nas Américas. Principais reser­vatórios são cães e raposas.

Doença de ampla distribuição geográfica, presente em 11 países da América do Sul e Central, entre eles o Brasil. As principais áreas atingidas se encontravam nas áreas silvestres e peri-urbanas do Nordeste e Centro-Oeste, po­rém nas últimas décadas, a doença se expandiu progressivamente, atingindo todas as regiões brasileiras, exceto Região Sul, com urbaniza­ção da doença.

 

Clínica
Período de incubação média de 2 a 4 meses, podendo variar de 10 dias a 2 anos.Nas regiões endêmicas, a infecção geralmente ocorre em crianças e a maioria dos casos assintomática ou oligossintomática. A forma oligossintomática caracteriza-se pelos sintomas inespecíficos como febre baixa, tosse seca, diarréia, sudorese, adinamia associada à discreta hepato-esplenomegalia. A resolução espontânea pode ocorrer.

A forma clássica da doença pode ser dividida em três fases:

  • período inicial (aguda): caracterizada pela febre alta, tosse e diarréia acentuada. A hepatoesplenomegalia pode estar presente, porém não expressiva. Duração de 15 a 20 dias. Episódios hemorrágicos são raros, porém podem estar presentes.
  • período do estado: caracterizada por manifestações exacerbadas, com perda de peso, febre diária, descoramento das mucosas, adinamia, tosse, anorexia, diarréia, edema de membros inferiores, episódios de sangramento de mucosas e hepato-esplenomegalia pronunciada.
  • período final: caracteriza-se pelo intenso sinal de desnutrição protéico-calórica, com cabe­los quebradiços e cílios alongados, intensos hepato-esplenomegalia com protrusão do abdome, adinamia importante, dispnéia e sinais de insuficiência cardíaca. Nessa fase, podem ocorrer complicações infecciosas, sendo estas as principais causas de óbito. Os principais sítios de infecção são broncopneumonias, gastrenterites e septicemias. Outras causas de óbito são hemorragias agudas, insuficiência cardíaca secundária à anemia (cor anêmico) e coagulopatias pós-transfusionais.

No cão, a infestação é assintomática ou pode se manifestar por emagrecimento, queda de pêlos, conjuntivite, feridas na pele (focinho, orelhas).

 

Diagnóstico

  • Laboratorial: anemia, leucopenia e plaquetopenia, aumento de VHS, hipoalbuminemia e hipergamaglobulinemia. Pode apresentar elevações discretas de transaminases.
  • Parasitológico: demonstração do protozoário no aspirado de medula óssea e aspirado es­plênico, corado pelo Giemsa ou Leishman. Pode-se realizar a cultura do espécime no meio NNN para identificação do protozoário.
  • Imunológico:
    • Intradermorreação de Montenegro que detecta reação de hipersensibilidade tardia ao parasita. Não diferencia a infecção atual da pregressa. Geralmente é negativo na fase aguda da doença.
    • Reações sorológicas: IFI e ELISA. Podem apresentar reação cruzada com doença de Chagas e leishmaniose tegumentar.
    • Reação em cadeia de polimerase.

 

Tratamento

  • N-metilglucamina (antimonial pentavalente): 20 mg de antimônio pentavalente (SbV)/kg/dia (frasco comercial possui 85 mg Sbv/ml), máx. 15 ml/dia IM ou EV por 20 a 40 dias. Contra-indicados em gestantes, portadores de insuficiência hepática ou renal, pancreatopatias e arritmias cardíacas.
  • Anfotericina B (desoxicolato de anfoterici-na B): 0,7 a 1 mg/kg/dia EV por 14 a 21 dias ou até dose acumulada de 2 g. Cuidado com a nefrotoxicidade, cardiotoxicidade e reações de hipersensibilidade.
  • Anfotericina lipossomal: 1,0 a 1,5 mg/kg/dia EV por 21 dias ou 3 mg/kg/dia EV por 10 dias. Indicado para casos graves que desenvolveram insuficiência renal ou toxicidade cardíaca.
  • Pentamidina: 4 mg/kg IM ou EV em dias alternados, no total de 15 dias ou dose total de 2 g.

 

 

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