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Esquistossomose

Consultar Doenças - Bilharzíase

Definição
Infestação causada por cinco espécies de trematódeos: Schistosoma mansoni, S. japonicum, S. mekong, S. intercalatum e S. haematobium.

Etiologia
Na região das Américas, a única espécie encontrada é o S. mansoni, trematódeo de sexos separados, cuja fêmea é delgada e maior, e o macho é robusto e fica acoplado à fêmea através do canal ginecóforo presente na sua região ventral. A infecção ocorre pela penetração da cercária através da pele íntegra do homem. No tecido subcutâneo, as cercárias evoluem para estágio de esquistossômulos que migram para o sistema venoso e linfático do hospedeiro alcançando vasos pulmonares e tecido hepático, desenvolvendo-se no sistema porta intra-hepático. Na fase adulta, os vermes se acasalam e descem para o sistema venoso do intestino. A postura dos ovos é feita no reto e no sigmóide, podendo se estender ao intestino delgado nas formas graves. Os ovos são eliminados pelas fezes e, em condições apropriadas de luz, temperatura e água limpa, ocorre a ecdise liberando miracídio que penetra no interior dos caramujos do gênero Biomphalaria, o hospedeiro intermediário.

S. mansoni é endêmico na África, Oriente Mé­dio, América do Sul e alguns países do Caribe. O Brasil é uma das mais importantes zonas de distribuição da doença no mundo, sendo a região nordeste do país de alta endemicidade, porém também está presente nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. A progressão da doença depende da presença de indivíduos eliminando ovos, presença de hospedeiro intermediário, condições ambientais favoráveis (água natural limpa com temperatura adequada) e do contato de pessoassuscetíveis.  

 

Clínica

Infecção aguda

  • Período de incubação – um a dois meses.
  • Maioria assintomática.
  • Início abrupto com febre de até 39 °C, calafrios, sudorese, astenia, mialgia, cefaléia, tosse seca com broncoespasmos, anorexia, náusea, vômito, diarréia, perda de peso. Ma-nifestação de hipersensibilidade (urticária, prurido generalizado, edema da face, placas eritematosas ou lesões purpúricas). Duração de até 2 meses. Ao exame físico, hepatoes-plenomegalia dolorosa.
  • Raramente, formas graves com icterícia, ab-dome agudo ou coma.

Infecção crônica

  • Forma intestinal: diarréia intermitente, às vezes com sangue, muco e tenesmo, alterna-da com obstipação. Dor abdominal (principalmente hipocôndrios e fossa ilíaca esquerda), intolerância a certos alimentos, vômitos e flatulência.
  • Forma hepatoesplênica: decorrente da hipertensão portal por fibrose de Symmers. Presença de manifestações da forma intestinal, associadas a hematêmese, circulação colateral superficial na parede abdominal, melena. Ao exame físico, hepatomegalia importante, esplenomegalia leve a moderada, com ou sem ascite. Varizes de esôfago.
  • Hipertensão pulmonar: cor pulmonale decor­rente da arterite pulmonar.
  • Glomerulopatias: proteinúria.
  • Nervosa: mielite transversa (paraplegia e dis­túrbios esfincterianos).
  • Enterobacteriose septicêmica prolongada: de­corrente de infecção por enterobactéria, facilitada pela presença do verme e pela disfunção hepática. Febre de longa duração, diarréia, emagrecimento, dores abdominais, palidez, edemas e petéquias nos MMII.

 

Diagnóstico

  • Laboratorial inespecífico: fase aguda – leucocitose com eosinofilia, elevação de globulinas. Fase crônica – anemia, leucopenia ou neutropenia e eosinofilia, plaquetopenia leve/moderada; hipoalbuminemia, elevação de gamaglobulina.
  • Métodos diretos: PPF com identificação do parasito e ovos viáveis, exames com 6 amos­tras de fezes possuem elevada sensibilidade e especificidade. Método Kato-Katz permite quantificação de ovos. Biópsia retal, reserva­da para situações especiais.
  • Métodos indiretos: reação intradérmica e reações sorológicas (úteis para pessoas não residentes em áreas endêmicas que tiveram contato recente com regiões endêmicas).

Diagnóstico diferencial:

  • Forma aguda: mononucleose infecciosa e outras “mono símiles”, ancilostomíase aguda.
  • Forma crônica: intestinal – infecções intestinais por protozoários (amebíase e giardíase), outras parasitoses intestinais; hepatoesplêni­ca – leishmaniose visceral, tuberculose miliar, esplenomegalia tropical e linfoma.

 

Tratamento

  • Oxaminiquine – adultos: 15 mg/kg; crianças até 15 anos: 20 mg/kg VO dose única.
  • Praziquantel – adultos: 50 a 60 mg/kg; crianças: 60 a 70 mg/kg VO em dose única ou dividida em duas tomadas.

 

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