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Síndrome de Reiter

Consultar Doenças - Artrite Reativa

Definição
Tríade clínica caracterizada por oligoartrite assimétrica, uretrite e conjuntivite.

Etiologia
Desconhecida. Ocorre após infecções do trato digestivo (Salmonella, Shigella, Yersinia, Campylobacter) ou geniturinário (Chlamydia). Pertence ao grupo das artrites reativas [ver Artrites reativas].

 

Clínica
Início: uma a quatro semanas após infecção entérica (diarréia) ou geniturinária (uretrite). A primeira manifestação costuma ser a uretrite, freqüentemente serosa, com descarga matinal, oligossintomática, às vezes prostatite assintomática. A conjuntivite costuma ser leve, de resolução espontânea, durando 7 a 10 dias, sem deixar seqüelas. Oligoartrite assimétrica, recorrente, de predomínio em grandes articulações de membros inferiores, sendo comum a presença de volumosos derrames articulares recorrentes em joelhos, em pacientes com doença ativa. Na evolução do quadro articular, é freqüente a presença de entesites na inserção do tendão do calcâneo e da fáscia plantar, também cursando com tenossinovites em dedos de pés e mãos (dedos em salsicha). Acometimento axial (espondilite) pode aparecer em cerca de 20% dos casos. Comprometimento visceral é pouco freqüente.

Pode apresentar evolução como surto único (10 a 20%), crises recorrentes (40 a 60%) ou cronificar (20 a 30%). A pesquisa do HLA-B27, positiva em 50 a 80% dos casos, é im­portante não como diagnóstico, mas como determinante de prognóstico da doença.Na infância, a maioria dos casos de artrite rea­tiva ocorre em meninos de 8 a 12 anos, estando associada predominantemente às infecções entéricas. Já nos adolescentes, a artrite reativa posterior à infecção genital por Chlamydia ocorre com maior freqüência.Sintomas sistêmicos freqüentes como febre, poliadenopatia e emagrecimento. Podemos ainda encontrar dactilite, talalgia, balanite circinata, ceratodermia blenorrágica, ulceras orais.

Manifestações cardíacas (alterações do sistema de condução ou aortite levando à insuficiência aórtica) ou neurológicas são possíveis.

 

Diagnóstico
O achado laboratorial mais significativo na síndrome de Reiter é a presença do antígeno HLA-B27 em 60% dos pacientes. Outros paramêtros laboratoriais estão presentes, porém são inespecíficos.

 

Tratamento
AINEs em tratamento sintomático, ou corticóides em caso de oligoartrite ou entesopatia persistentes não responsivas aos AINEs (prednisona ou equivalente, 5 a 10 mg/dia, ou equivalente) ou monoartrite persistente (triancinolona hexacetonide intra-articular).

Nos casos que evoluem para doença articular crônica, predominantemente periférica, podem ser utilizados a sulfasalazina e o metotrexato.

Observações: exame de HIV em caso de uso de medicamento imunossupressor, porque a síndrome de Reiter pode ser a manifestação ini­cial da Aids. Nesses casos os imunossupressores são contra-indicados.

O uso dos agentes biológicos infliximabe e etanercepte ainda não está bem definido nas artrites reativas.

Antibióticos

  • Infecções entéricas (Salmonella, Shigella e Campylobacter): ciprofloxacina (500 mg VO 2 x/dia) ou sulfametoxazol-trimetoprin, 7 a 10 dias.
  • Infecções geniturinárias por Chlamydia: tetraciclina (500 mg VO 3 x/dia) ou deri­vados (doxiciclina ou minociclina) durante 14 dias. É imprescindível o tratamento dos parceiros para se evitar reinfestações.

Como a infecção urogenital por Chlamydia é muitas vezes assintomática, ou cursa com sintomas leves (geralmente não referidos pelos pacientes), e sendo a Chlamydia um importante fator causal de prostatite crônica (assintomática em 50% dos casos) e salpingite crônica (causa não hormonal freqüente de infertilidade feminina), é preciso procurar sinais de infecção em pacientes com diagnóstico de artrite reativa sem fator causal definido. Não existem evidências de que o uso crônico de antibióticos seja eficaz nas artrites reativas, nem o uso da ciprofloxacina, nem da doxiciclina.

 

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