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Dependência Alcoólica
Consultar Doenças - Alcoolismo

Definição
Consumo excessivo e prolongado do álcool, com dificuldade de controlar o consumo, utili­zação persistente apesar das conseqüências nefastas, aumento da tolerância e presença de uma síndrome de abstinência.

 

 

Etiologia
Conjunto de fatores sociais, culturais, familiais e genéticos (os filhos de alcoólatras são mais freqüentemente alcoólatras, como sugerido em estudos com gêmeos). O álcool é a substância psicoativa mais comum e tolerada no mundo, valorizada pela maioria das culturas.

 

Clínica

Os elementos da síndrome de dependência al­coólica são:

1. Estreitamento do repertório: no início, o usuário bebe com flexibilidade de horários, de quantidade e até de tipo de bebida. Com o tempo, passa a beber com mais freqüência, todos os dias, em quantidades crescentes e deixando de importar-se com a inadequação das situações. Nos estágios avançados, con­sumo de modo compulsivo e incontrolável para aliviar os sintomas da abstinência, sem importar-se com os danos orgânicos, sociais ou psicológicos.

2. Saliência do comportamento de busca do álcool: priorização do ato de beber, mesmo em situações inaceitáveis.

3. Aumento da tolerância ao álcool: necessida­de de doses crescentes de álcool para obter o mesmo efeito conseguido com doses me­nores, ou a capacidade de realizar atividades apesar de altas concentrações sangüíneas de álcool.

4. Sintomas repetidos de abstinência: no iní­cio, são leves, intermitentes e pouco inca­pacitantes mas, nas fases mais severas da dependência, podem manifestar-se os sinto­mas mais significativos, como tremor inten­so e alucinações.

Três grupos de sintomas de abstinência:

  • físicos: tremores (desde finos de extremida­des até generalizados), náuseas, vômitos, sudorese, cefaléia, cãibras, tontura;
  • psíquicos: irritabilidade, ansiedade, fraqueza, inquietação, depressão;
  • perceptivos: pesadelos, ilusões, alucinações (visuais, auditivas ou tácteis).

5. Alívio ou evitação dos sintomas de abstinên­cia pelo aumento da ingestão da bebida.

6. Percepção subjetiva da necessidade de beber.

7. Reinstalação após a abstinência.

 

Tratamento

Dissulfiram
Substância que força o paciente a não beber sob a pena de intenso mal-estar. A dose habi­tual é de 250 mg por dia em dose única diária, após um intervalo de, pelo menos, 12 horas de abstinência. Os pacientes também podem beneficiar-se com doses de 500 mg por dia. A duração recomendada para o tratamento é de um ano. 

Naltrexona
Substância já usada no tratamento da depen­dência de heroína e morfina. A naltrexona pos­sui um efeito bloqueador do prazer proporcio­nado pelo álcool, cortando o ciclo de reforço positivo que leva e mantém o alcoolismo. A posologia recomendada da naltrexona no tra­tamento do alcoolismo é de 50 mg por dia. O esquema terapêutico consiste na prescrição de 25 mg por dia na primeira semana de tratamento, com vistas a diminuir a incidência dos efeitos adversos (náuseas e vômitos). Após este período, pode-se elevar a dose para 50 mg por dia. Os ensaios clínicos com naltrexona postulam o período de 12 semanas para o trata-mento.

Acamprosato
Atua mais na abstinência, reduzindo o reforço negativo deixado pela supressão do álcool na-queles que se tornaram dependentes. Além de inibir os efeitos agudos da abstinência como os benzodiazepínicos fazem, o acamprosato inibe o desejo pelo álcool, diminuindo as taxas de recaída para os pacientes que interromperam o consumo de álcool. O acamprosato deve ser administrado em pacientes dependentes de ál­cool com mais de 60 kg, em três tomadas diá­rias, sendo 2 comprimidos de 333 mg nos três períodos do dia, sempre antes das refeições. A maioria dos estudos orienta a administra­ção deste medicamento em dose menor para pacientes com menos de 60 kg; ou seja, um comprimido de 333 mg nos três períodos do dia. O tempo de manutenção da medicação é variável. Os ensaios clínicos realizados utilizam a droga por 6 a 12 meses.

 

 

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