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Abortamento Habitual

Consultar Doenças - Aborto

Definição
Três ou mais perdas gestacionais sucessivas antes da 20ª semana de gestação ou com feto com peso inferior a 500 g. É classificado como precoce até a 12ª semana e tardio entre a 13ª e 20ª semanas de gestação.

 

Etiologia
Estão envolvidos fatores genéticos, anatômicos, imunológicos e endócrinos. Os fatores genéticos são os responsáveis por 50% dos abortamentos até a 12a semana de gestação. Mais comumente encontramos as translocações não balanceadas (principalmente de origem materna) e as cromossomopatias. Podem estar presentes também mosaicismos e inversões pericêntricas. Fatores anatômicos: incompetência cervical (principal responsável pelo abortamento tardio), más-formações uterinas (principalmente o útero septado), sinéquias intra-uterinas, miomas submucosos, pólipos endometriais.
Nos fatores endócrinos a insuficiência do corpo lúteo é responsável por 20 a 25% dos abor¬tamentos de repetição. Esta causa leva a perdas em idade gestacional precoce, normalmente abaixo de 8 semanas.
Fatores imunológicos: incompatibilidade do HLA entre os pais (aloimune) e auto-anticor¬pos maternos, como anticardiolipina e anticoagulante lúpico (auto-imune).

 

Clínica
A incidência é de 0,5 a 3%. O quadro clínico quando presente é semelhante ao dos aborta-mentos com sangramento vaginal, dor em hipogástrio e dilatação cervical. A única alteração encontrada pode ser a de gestação nãoevolutiva à ultra-sonografia e ausência de batimentos cardíacos fetais.

 

Diagnóstico

  • Fatores genéticos: cariótipo com bandeamento cromossômico nos pais e no produto do abortamento.
  • Fatores anatômicos: histerossalpingografia, histeroscopia e ultra-sonografia.
  • Fatores endócrinos: dosagem da progesterona na segunda fase do ciclo e biópsia endometrial.
  • Fatores imunológicos: determinação do HLA dos pais e pesquisa de auto-anticorpos maternos (anticoagulante lúpico, anticorpo anticardiolipina IgG e IgM, atividade das proteínas C e S, mutação do fator V de Leyden, pesquisa da mutação do gene da protrombina).

Tratamento

  • Fatores genéticos: de acordo com a alteração encontrada pode ser necessária a utilização de técnicas de reprodução assistida com diagnóstico pré-implantacional ou doação de gametas (óvulos ou espermatozóides).
  • Fatores anatômicos: para incompetência cervical, cerclagem entre a 13ª e 16ª semanas de gestação. Para útero septado ou alterações endocavitárias (pólipo, sinéquias ou miomas submucosos), histeroscopia cirúrgica.
  • Fatores endócrinos: utilizar progesterona natural micronizada 200 a 400 mg via vaginal desde o diagnóstico até a 12ª semana de ges-tação.
  • Fatores imunológicos: para causas auto-imunes (síndrome antifosfolípide e trombofilias) recomenda-se a utilização de heparina subcutânea 10 a 20 mil UI 12/12 horas da 13ª até a 36ª semanas associada a ácido acetilsalicílico 100 mg VO 1 x/dia. Nos casos de fator aloimune recomenda-se a imunização materna com linfócitos paternos.
  • Outros fatores: fatores ambientais como ta¬bagismo, etilismo, exposição a gases anestésicos, cafeína e radiação, que aumentam a taxa de abortamento, devem ser evitados.
  • Fatores infecciosos: Micoplasma hominis e Ureaplasma urealyticum devem ser tratados com doxiciclina 100 mg VO 12/12 horas por 14 dias (na ausência de gravidez) ou estearato de eritromicina 500 mg 6/6 horas VO por 14 dias.
  • Suporte psicológico para as pacientes com abortamento de repetição é um importante aliado.

 

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