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Abortamento Espontâneo
Consultar Doenças - Aborto

Definição
Interrupção da gestação antes que se atinja a viabilidade fetal.
Falha na tentativa de aborto.

Etiologia
Até 60% de todas as e entre 15 e 20% das gestações clínicas terminam em abortamento. Destes, 80% são espontâneos e 75% ocorrem até a 12a semana de gestação. No primeiro trimestre é alto o índice de malformações morfológicas e anomalias cromossômicas (presentes em 65% dos abortamentos até a sétima semana).

Causas maternas: insuficiência lútea, incompetência cervical, más-formações uterinas (principalmente útero septado e unicorno), doenças infecciosas agudas (virais, bacterianas, protozoários) e crônicas (tuberculose, sífilis), neoplasias, endocrinopatias (diabetes descompensado, hipotireoidismo), doenças imunológicas (síndrome antifosfolipide, lupus sistêmico).

Observação: Quando a idade gestacional era desconhecida, a inviabilidade fetal era definida pelo peso inferior a 500 g; porém com o relato de feto de 385 g que sobreviveu, fica o conceito da viabilidade fetal condicionado ao suporte de neonatologia de cada serviço.

 

Clínica

  • O abortamento pode ser assintomático. Manifesta-se clinicamente através de dor em cólica em hipogástrio associado a sangramento genital.
  • No exame físico deve-se avaliar a estabilidade hemodinâmica e palpar o abdome para se excluir abdome agudo por gestação ectópica rota ou perfuração uterina.
  • Ao exame especular, avaliar a quantidade de sangramento e a presença de material ovular.
  • No toque vaginal, caso o colo se mostre pérvio, aumenta a suspeita de um abortamento incompleto.
  • Caso se toque o saco gestacional ou este esteja se exteriorizando pelo colo uterino temos um caso de abortamento inevitável.
  • O colo fechado pode significar abortamento completo ou gestação em curso.
  • No caso de infecção podemos encontrar taquicardia, febre, volume uterino aumentado para a idade gestacional, corpo uterino doloroso ao toque, secreção purulenta ou com odor fétido.

 

Diagnóstico
O exame físico associado ao Beta-HCG sérico e ao ultra-som são a chave do diagnóstico. A curva sérica do Beta-HCG em gestações precoces mostrará a evolução da gestação para abortamento ou uma evolução normal. 

Em gestações mais avançadas o ultra-som é fundamental para visualizar a posição do saco gestacional, a viabilidade do embrião ou feto, possíveis áreas de descolamento e sua extensão e a quantidade de restos ovulares pela espessura do eco endometrial. Pode ser incompleto se permanecer material de origem embrionária na cavidade uterina ou completo se todos os tecidos foram eliminados no processo de abortamento.

É denominado retido caso o embrião ou feto esteja sem vitalidade, porém dentro da cavidade uterina; e infectado na presença dos sinais e sintomas supracitados.

Diagnóstico diferencial: [ver Sangramentos do 1o trimestre].

 

Tratamento

  • Para casos de gestação evolutiva após ameaça de abortamento há uma chance de 80% que a gestação atinja o termo.
  • Logo após o sangramento recomenda-se apenas repouso, antiespasmódicos (escopolamina 35 gotas VO 8/8h) e analgésicos (paracetamol 35 gotas VO 6/6h, dipirona 30 gotas VO 6/6h).
  • No primeiro episódio de abortamento completo não se justifica investigação subseqüente. Porém, a partir de dois episódios seguidos com o mesmo parceiro a investigação das causas de aborto habitual deve ser realizada.
  • Nos casos de abortamento em curso, a melhor abordagem para redução do sangramento e do quadro álgico é o esvaziamento da cavidade em gestações do primeiro trimestre através de curetagem ou aspiração a vácuo.
  • No caso de gestação acima de 12 semanas utilizar ocitócicos até eliminação do feto e anexos e proceder, se necessário, ao esvaziamento uterino.
  • Nos casos de abortamento retido ou abortamento incompleto com eco endometrial acima de 15 mm pode-se adotar a conduta expectante por até 15 dias com acompanhamento ambulatorial pelo risco de discrasia sanguínea e infecção.
  • Caso não ocorra o abortamento completo neste período utilizar tratamento medicamentoso ou cirúrgico.
  • O tratamento cirúrgico envolve a curetagem uterina ou a aspiração a vácuo.
  • O tratamento medicamentoso consiste no uso de misoprostol inicialmente 400 microgramas via vaginal e 200 microgramas a cada 4-6 horas até a eliminação de todo o material embrionário durante um período de 2 dias em regime hospitalar. Nesta modalidade deve-se realizar ultra-sonografia após sangramento importante e saída de material ovular para se avaliar a necessidade de tratamento cirúrgico complementar.
  • No caso de abortamento infectado: antibioticoterapia de amplo espectro associado a esvaziamento uterino (exemplo: penicilina G cristalina 4.000.000 UI EV 4/4h + gentamicina 1,5 mg/kg 8/8h + metronidazol 500 mg EV 8/8h). Se persistir o quadro infeccioso, uma histerectomia pode vir a ser realizada.

Observação.: Casos de abortamento induzido através de métodos farmacológicos, mecânicos ou químicos podem se apresentar como abortamentos espontâneos. Estão associados a maior incidência de complicações hemorrágicas e infecciosas. Quando há falha na tentativa de abortamento com misoprostol, é necessária atenção ao elevado risco de más-formações.

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